O MPF arquivou no fim do ano passado uma inusitada “denúncia” anônima sobre corrupção envolvendo o presidente Lula. Coisa de aloprado, mas digna de nota pelo absurdo analisado — com consumo de tempo e recursos públicos — pelos investigadores.
O caso em questão investigava a existência de sósias de Lula atuando na Presidência da República. Seriam “quatro ou cinco atores de diversas aparências” que se passariam pelo mandatário petista para cometer crimes de corrupção no Planalto.
Para se passar por Lula, os “atores” usariam “vozes implantadas e IA moderna”, diz o despacho. Parece coisa de maluco — e é.
O promotor de Justiça Eleitoral que promoveu o arquivamento, fundamentou, em síntese, o seguinte:
“A presente ficha de atendimento deve ser arquivada, pois se trata de uma acusação genérica de corrupção e outros crimes, imputada indistintamente a inúmeras pessoas, empresas e partidos políticos, chegando a levantar argumentação referente a atores de diversas aparências que se passariam pelo presidente República. Evidentemente, o relato não merece qualquer credibilidade, estando totalmente desprovido de fundamentação, além de que não existe qualquer documento anexado pelo representante”.