Minnesota, nos Estados Unidos, foi paralisado nesta sexta-feira, 23, por uma greve que pretende promover um “apagão econômico” em protesto contra a presença do ICE, a polícia de imigração americana, no estado. Organizado por líderes comunitários, religiosos e sindicatos, o ato batizado “Dia da Verdade e da Liberdade” invita a população a faltar ao trabalho, além de fechar escolas e lojas, e comparecer às ruas para manifestações que se concentram na cidade de Mineápolis.
O protesto ocorre duas semanas após Renee Good, uma cidadã americana, ser baleada e morta por um agente do ICE durante uma blitz. Entre as reivindicações dos manifestantes estão a expulsão dos cerca de 3 mil policiais de imigração que foram despachados pelo governo de Donald Trump a Minnesota, a abertura de um processo contra o agente que matou Good, o fim dos incrementos financeiros federais para o ICE e a abertura de uma investigação contra a agência por violações de direitos humanos e constitucionais.
Dezenas de empresas em Minnesota anunciaram que aderiram a greve. O Conselho Municipal de Minneapolis apoiou o protesto e a paralisação, aderida pela AFL-CIO, federação estadual com mais de 1.000 sindicatos locais filiados, juntamente com dezenas de grupos trabalhistas locais. O ato vai culminar com uma marcha no centro de Mineápolis às 14h locais (16h em Brasília), sob temperaturas polares e sensação térmica de 20 graus negativos.
“A ideia para essa ação surgiu da necessidade de encontrar um meio significativo para impedir esses ataques, essa violência (do ICE)“, disse Kieran Knutson, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação (CWA) de Mineápolis, ao jornal The Guardian. “O governo do estado de Minnesota não ofereceu nenhuma solução”, lamentou.
Uma funcionária de uma creche em Mineápolis contou ao Guardian que decidiu fechar a escola por um dia porque recebeu “imenso” apoio das famílias das crianças que cuida.
“Tivemos tempo para perguntar às famílias que atendemos se elas concordariam com a paralisação e recebemos uma resposta extremamente positiva”, disse ela, que pediu anonimato para evitar represálias. “Todas apoiaram a ação.”
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) alegou ter realizado 3 mil prisões em Minnesota nas últimas seis semanas. Apesar de denúncias como a detenção de ao menos quatro crianças, incluindo uma com apenas cinco anos, o governo federal insiste que todos os capturados eram “criminosos perigosos”.
O Exército americano colocou 1.500 soldados em prontidão para um possível envio a Minnesota. Trump ameaçou invocar a Lei da Insurreição, um texto do século XIX que permite o acionamento de militares no caso de uma revolta civil.
“Isso é um absurdo. Por que esses chefes sindicais não querem essas ameaças à segurança pública fora de suas comunidades?”, disse um porta-voz do DHS ao Guardian em resposta ao bloqueio econômico. “Esses chefes sindicais estão tentando proteger criminosos”, acrescentou.