Com pouco mais de 800 habitantes, o município de Serra da Saudade (MG) é o primeiro do país a ganhar um sistema anti-apagão baseado no armazenamento de energia solar em baterias, capazes de suprir a demanda energética da cidade por 48 horas. O projeto pioneiro é da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e foi inaugurado na quinta-feira, 15. Na ausência de um desastre de grandes proporções, o município de Serra da Saudade está protegido contra qualquer interrupção no fornecimento de energia proveniente da rede primária que abastece a cidade.
As baterias são acionadas automaticamente, sem necessidade de operação humana, assim que uma oscilação na rede é detectada por sensores inteligentes. A empresa pública de energia pretende expandir a ação para ao menos outras dez cidades do estado.
O sistema de “backup” energético tem capacidade de 2 MWh (megawatt-hora) e custou cerca de 7 milhões de reais, incluindo a compra de oito baterias da WEG. Além de garantir o abastecimento em caso de apagão, a infraestrutura também melhora a qualidade da energia fornecida à Serra da Saudade, reduzindo distúrbios e mantendo a tensão estável dentro dos níveis regulatórios.
A Cemig afirma que a solução baseada em baterias se provou muito mais atrativa financeiramente do que alternativas tradicionais, como a simples conexão do município a uma segunda rede elétrica não autônoma, algo que custaria cerca de 30 milhões de reais.
Todas as residências de Serra da Saudade contam agora com medidores inteligentes de energia elétrica da Nansen, empresa do ramo originada no Brasil. A tecnologia conecta a cidade ao centro de operações da Cemig, em Belo Horizonte, de modo que o fornecimento de energia pode ser acompanhado remotamente.
As demais cidades onde a solução baseada em baterias deve ser implementada estão sendo selecionadas pela companhia de energia. Tratam-se de lugares com características semelhantes, especialmente em regiões onde a topografia e o afastamento de grandes centros encarece a implementação de redes convencionais.
As placas solares utilizadas pela Cemig para alimentar as baterias têm vida útil de 25 anos. A geração solar é desligada quando as baterias ficam cheias, ao invés da energia extra ser encaminhada para a rede. Isso ocorre porque a infraestrutura local não é robusta o suficiente para comportar a alta do fornecimento.
Na eventualidade de um apagão que dure mais de dois dias — cenário considerado altamente improvável pela Cemig — as baterias de Serra da Saudade seriam completamente drenadas e o recarregamento total levaria 12 horas. Como o sistema é automatizado, a estatal não mantém nenhum funcionário operando a geração solar ou as baterias.
A Cemig tem a meta de garantir o fornecimento secundário de eletricidade para todas as cidades em que atua até 2027, seja através do modelo implementado em Serra da Saudade ou outro mais convencional.