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Maré de desaprovação recua e atenua especulação sobre futuro de Lula

Das nove eleições presidenciais diretas realizadas após a redemocratização, Lula participou de seis e venceu três. Ele só ficou de fora em 2010, porque a Constituição proíbe um terceiro mandato consecutivo, em 2014, porque a afilhada Dilma Rousseff não aceitou abrir mão da candidatura em nome do padrinho, e em 2018, porque o petista estava preso e inelegível.

Em 2026, o presidente tem o direito de disputar a reeleição. Diante de seu histórico eleitoral e do fato de ser o líder incontestável da esquerda, esperava-se que Lula estaria de novo nas urnas no próximo ano. Essa era a percepção generalizada até o petista, nos primeiros meses deste ano, perder popularidade de forma acelerada.

Com o derretimento de imagem, políticos de centro e mesmo petistas passaram a especular sobre a possibilidade de Lula não concorrer novamente. Ele abandonaria o páreo alegando a idade avançada, problemas de saúde ou um providencial sentimento de dever cumprido. Para os desafetos, no entanto, sairia de cena por medo de ser derrotado.

O fato é que essa especulação ganhou corpo. Foi assim durante meses, até que Lula, segundo as pesquisas, conseguiu estancar a queda de popularidade, encontrar discursos de apelo popular e recuperar um pouco do prestígio perdido no eleitorado.

A recuperação de terreno começou com o discurso em defesa da justiça tributária, ou do plano do governo de cobrar mais imposto dos mais ricos para aliviar a carga dos mais pobres, e ganhou tração após o anúncio do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras, medida adotada para, entre outros objetivos, beneficiar Jair Bolsonaro.

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Segundo pesquisas Genial/Quaest, a resposta do presidente ao tarifaço, somada à queda da insatisfação da população com o preço dos alimentos, fez a diferença entre desaprovação e aprovação a Lula cair de dez pontos para cinco pontos percentuais em apenas dois meses. Além disso, no mesmo período, o petista dobrou sua vantagem, nas simulações de segundo turno, sobre Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior.

Hoje, Lula é candidato à reeleição e desfila desenvolto com o figurino de palanque. Seus discursos criticam Trump, Bolsonaro e o tarifaço, seus ministros preparam medidas populistas, como a ampliação da distribuição de gás de cozinha, e o presidente faz um esforço enorme para mostrar que, apesar de quase octogenário, está vendendo saúde.

Nas redes sociais, entre discursos e assinaturas de documentos, não faltam registros do petista na academia ou dando trotes em eventos públicos. A maré mudou e fez diminuir a conversa sobre eventual aposentadoria de Lula. O problema é que a política, como a lua, é cheia de fases.

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