Manoel Carlos, que morreu no sábado, 10, aos 92 anos, deixou obras marcantes na teledramaturgia, não só dentro do set como fora dele . Na frente das câmeras, Maneco conseguiu ditar pautas importantes no país, como relacionamentos abusivos, agressão a idosos e alcoolismo. Já nos bastidores, as produções colecionaram polêmicas — de caos no trânsito da zona sul do Rio por causa de gravações até mudança de protagonista com obra em andamento. A coluna GENTE reuniu algumas dessas controvérsias, que culminaram na despedida do autor da Globo em 2015.
- Mulheres Apaixonadas (2003). Mais de 20 anos depois e o público ainda se lembra do caos causado por gravações de um tiroteio em plena terça-feira no Leblon, bairro que o autor tornou conhecido em todo o país. Cerca de mil pessoas estavam no local das filmagens, às 17h, horário de saída de escolas e do trabalho. Foram usados mais de 500 tiros de festim, o que levou os desavisados a ligar para a polícia denunciando tiros na região. Na época, as associações de moradores do Leblon e de hotéis do Rio de Janeiro se manifestaram contra a trama. O escritor, no entanto, não cedeu e quis retratar que a violência não ficava restrita a bairros pobres.
- Páginas da Vida (2006). Apesar do sucesso com o público, os bastidores da produção das 9 foram agitados. Muitos atores, como Ana Paula Arósio, Renata Sorrah e Leandra Leal, demonstraram insatisfação com os rumos das personagens. Na época, rumores apontavam que alguns teriam até faltado gravações devido à decepção. Outra que ficou no centro de polêmicas foi Grazi Massafera, então novata na teledramaturgia. Manoel Carlos precisou vir à público defender a atriz, que era alvo de duras críticas por trás das câmeras — fofoca resgatada pela intérprete recentemente.
- Viver a Vida (2009). Na trama, a Helena de Taís Araújo não foi bem recebida pelo público e virou alvo de críticas. Com a rejeição, a obra passou por mudanças, e o protagonismo acabou ficando com Alinne Moraes, intérprete de Luciana, modelo que fica tetraplégica após um acidente. Já nos bastidores, a relação do elenco também sofreu com atritos entre Natália do Vale e Letícia Spiller. A veterana reclamou com a produção de frequentes atrasos da colega. Os rumores chegaram aos ouvidos da ex-Paquita, que foi tirar satisfação, terminando em uma discussão acalorada entre as duas com direito a gritos.
- Em Família (2014). A última novela do autor na TV Globo foi envolta de críticas. Uma delas foi com relação à diferença de idades entre as personagens de Natália do Vale, 60, e Julia Lemmertz, 50, que interpretaram mãe e filha. Na época, Maneco se defendeu dando exemplos de outros casos semelhantes, como Adriana Esteves e Cauã Reymond em Avenida Brasil. Fracasso de audiência, o folhetim contou com rumores de que o autor teria abandonado a obra antes mesmo do fim devido a problemas de saúde. Na ocasião, Maria Carolina, sua filha, teria assumido a reta final.
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