Mais de mil edifícios residenciais permanecem sem aquecimento e energia no domingo 11 em Kiev, capital da Ucrânia, após o ataque russo à infraestrutura energética realizado dois dias antes. A ofensiva deixou grande parte da cidade sem luz, segundo autoridades locais, situação ainda mais dramática devido a uma forte onda de frio que requer uso de aquecedores.
A guerra entra em seu quarto inverno e, desde o início da invasão, em 2022, Moscou tem direcionado ataques contra o sistema energético ucraniano, mirando usinas e linhas de transmissão. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que equipes trabalham ininterruptamente nas regiões atingidas, mas admitiu que a situação segue “extremamente difícil”, especialmente nas áreas próximas à fronteira com a Rússia.
“Os reparos continuam em Kiev após o ataque da madrugada de sexta-feira. A principal tarefa é restabelecer o fornecimento de energia a todos os prédios”, disse Zelensky em pronunciamento na noite de domingo. Segundo ele, cerca de 200 equipes de emergência atuam na capital e na região metropolitana.
O presidente declarou ainda que, somente na última semana, a Rússia lançou cerca de 1.100 drones, mais de 890 bombas aéreas guiadas e mais de 50 mísseis de diferentes tipos contra o país. Zelensky acusou Moscou de ter “esperado deliberadamente” a chegada do frio extremo para intensificar os ataques e aumentar o sofrimento da população civil.
As autoridades conseguiram restabelecer o abastecimento de água e parte da energia elétrica e do aquecimento em Kiev, mas os serviços continuam instáveis. Moradores têm recorrido a abrigos aquecidos e pontos de assistência humanitária para suportar as baixas temperaturas.
O prefeito da capital, Vitali Klitschko, alertou que o quadro permanece grave e que a previsão indica a manutenção de temperaturas negativas nos próximos dias. Termômetros que já registraram 12 graus negativos podem chegar a -20°C nesta semana.
Segundo a primeira-ministra Yulia Svyrydenko, 44 ataques contra instalações energéticas e infraestrutura crítica foram registrados apenas na última semana. Ela afirmou que os reparos avançam em ritmo acelerado, mas que a normalização completa do fornecimento em Kiev ainda deve levar alguns dias.