A União Europeia divulgou neste domingo, 4, seu posicionamento sobre o que chamou de “intervenção dos Estados Unidos na Venezuela”, após a prisão de Nicolás Maduro por militares americanos. No comunicado, a UE diz estar em contato com o governo americano e reitera que Maduro “carece da legitimidade de um presidente democraticamente eleito”, mas sustenta que o “direito do povo venezuelano de determinar seu próprio futuro deve ser respeitado”. As afirmações ocorrem em meio à prisão do ditador venezuelano, levado para um centro de detenção em Nova York, e aos planos do presidente Donald Trump de controlar o futuro político do país e a exploração do petróleo local.
O comunicado foi divulgado pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, em seu perfil oficial na rede social X. A declaração foi apoiada por 26 dos 27 países-membros do bloco, com exceção apenas da Hungria. O texto pede “calma e moderação por parte de todos os atores, a fim de evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise”.
My statement supported by 26 EU Member States on the aftermath of the U.S. intervention in Venezuela ↓ pic.twitter.com/CsgKXvvjUw
— Kaja Kallas (@kajakallas) January 4, 2026
A carta afima ainda que “em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados” e que “os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas têm uma responsabilidade particular de defender esses princípios, como um pilar da arquitetura de segurança internacional”.
“A UE tem reiteradamente afirmado que Nicolás Maduro carece da legitimidade de um presidente democraticamente eleito e tem defendido uma transição pacífica para a democracia na Venezuela, liderada pelos próprios venezuelanos e respeitosa da soberania do país. O direito do povo venezuelano de determinar seu próprio futuro deve ser respeitado”, diz outro trecho do comunicado.
Capturado neste sábado, 3, na capital venezuelana Caracas, Maduro deve ser julgado na Corte do Distrito Sul de Nova York pelos crimes de conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos. Ele está preso no Centro de Detenção Metropolitano da cidade americana.
No texto divulgado pela União Europeia, o bloco diz compartilhar “a prioridade de combater o crime organizado transnacional e o tráfico de drogas, que representam uma ameaça significativa à segurança em todo o mundo”. Mas ressalta que “esses desafios devem ser enfrentados por meio de uma cooperação sustentada, em pleno respeito ao direito internacional e aos princípios de integridade territorial e soberania”.
Na declaração, Kallas afirma ainda que a UE atua para “apoiar e facilitar o diálogo entre todas as partes envolvidas, levando a uma solução negociada, democrática, inclusiva e pacífica para a crise, liderada pelos venezuelanos”. O protagonismo do povo da Venezuela nos próximos passos, inclusive, é reforçado no texto como um pilar para o futuro do país. “Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo o único caminho para que a Venezuela restaure a democracia e resolva a crise atual”, reitera o bloco.
A libertação dos presos políticos na Venezuela, uma das principais críticas à condução de Maduro no país, também é apontada pelo bloco como crucial para um desfecho pacífico. “Neste momento crítico, é essencial que todos os atores respeitem plenamente os direitos humanos e o direito humanitário internacional. Todos os presos políticos atualmente detidos na Venezuela devem ser libertados incondicionalmente. As autoridades consulares dos Estados-Membros da UE estão trabalhando em estreita coordenação para proteger a segurança dos cidadãos da UE, incluindo aqueles ilegalmente detidos na Venezuela”, conclui a carta.
A prisão de Maduro
Levado para os Estados Unidos depois de ser capturado em Caracas, o ditador venezuelano Nicolás Maduro está preso desde a noite deste sábado, 3, no Centro de Detenção Metropolitano em Nova York. Antes, no entanto, ele passou por um escritório da Agência Antidrogas americana (DEA), onde teve de registrar sua ficha criminal. O protocolo aconteceu na chegada de Maduro ao Aeroporto Internacional Stewart. Lá, deixou algemado a aeronave em que estava, cabisbaixo e vestindo uma blusa azul, cercado por agentes, em cena que circula pelas redes sociais.
Já com um casaco preto e touca, mas ainda sob a custódia de agentes do FBI, a polícia federal americana, Maduro apareceu pouco depois no interior do centro de detenção, para onde foi levado de helicóptero, após deixar o aeroporto. Um vídeo mostra sua caminhada por um dos corredores do local com cumprimentos aos agentes. “Boa noite! Feliz Ano Novo!”, disse o venezuelano. Todo o trâmite desde sua captura até a chegada à prisão durou menos de 24 horas, com parte do trajeto feito também com um navio, ainda no Mar do Caribe.