Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar o projeto da dosimetria da pena, o principal nome da oposição se manifestou de maneira dura contra o petista. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a atitude do chefe do Poder Executivo federal demonstra que ele “não quer paz”. “O que estamos vendo é uma perseguição política escancarada, seletiva e injusta”, disse o senador.
O projeto da dosimetria da pena diminui as punições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos invasores das sedes dos Três Poderes — fato que completa três anos nesta quinta-feira, 8. Agora, a proposta retorna em forma de veto presidencial para o Congresso Nacional, que decidirá se mantém ou derruba a decisão de Lula a partir de fevereiro, quando parlamentares voltam do recesso.
“Lula é um produto vencido, movido a ódio e ideologia. Até agora não disse uma única palavra sobre os chefes de facções que não retornaram à cadeia durante a última saída temporária de Natal. Enquanto isso, criminosos seguem roubando e matando por um celular nas ruas do Brasil. Mas, para este governo, o que parece realmente perigoso é uma mulher que suja uma estátua com batom”, continuou Flávio Bolsonaro ao citar o caso de Debora Rodrigues, que ficou conhecida por escrever com batom “perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente ao prédio da Corte. A cabeleireira foi condenada a 14 anos de prisão em regime inicial fechado — hoje ela cumpre a pena em domiciliar.
Ao vetar a proposta Lula disse que todos foram julgados de maneira transparente e imparcial. “Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF. Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. Ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas e não com ilegalidades em série, meras convicções ou power points fajutos. Quero parabenizar a Suprema Corte pela conduta ao longo de todo esse processo. Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei, não se rendeu a pressões, não se amedrontou diante de ameaças, não se deixou levar por revanchismo. Saiu fortalecida. Sua conduta será lembrada pela história”, disse Lula.