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Lula minimiza peso da ‘doutrina Trump’ e da crise na segurança na eleição

Dividida e ainda sem um discurso afinado para a próxima campanha eleitoral, a oposição se animou com a operação militar realizada pelo governo de Donald Trump para capturar e prender o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Nome preferido do Centrão e de setores da elite econômica para concorrer à Presidência, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), disse que Lula falhou na tentativa de mediar um acordo entre EUA e Venezuela, celebrou o fim “de um ciclo ruim” no país vizinho e afirmou esperar que a queda de Maduro seja o prenúncio da derrocada da esquerda no Brasil.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), escolhido pelo pai para concorrer à Presidência, declarou ter certeza de que Maduro vai delatar Lula em busca de um acordo com a Justiça americana para reduzir a sua pena e a de sua esposa. No roteiro sonhado pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro, a eventual delação — que desnudaria uma aliança corrupta entre chavistas e petistas — levaria Trump a romper com Lula e adotar medidas que impediriam ou dificultariam a sua reeleição. 

Secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares disse duvidar que a oposição consiga manter o assunto em voga até outubro, quando será realizada a eleição brasileira. “Estão cuspindo para cima, e vai cair na cara deles”, provoca.  Ele acrescenta que Lula, como fez quando Washington impôs o tarifaço e sanções contra autoridades brasileiras, sairá ganhando com a questão venezuelana, que lhe dará uma nova oportunidade para desfraldar a bandeira da defesa da soberania nacional. 

Como detalha reportagem da mais recente edição de VEJA, Lula tem criticado a intervenção militar americana, mas não está disposto a comprar briga com Trump, um antigo adversário convertido em aliado. Além disso, auxiliares do presidente e especialistas lembram que questões de política externa tiveram pouco ou nenhum impacto nas campanhas desde a redemocratização. Por mais que seja explorada pela direita, a captura de Maduro pelos EUA não seria capaz de desestabilizar o projeto de reeleição.

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Pouca ação e muita torcida

Atualmente, a oposição mais torce do que trabalha para impedir que Lula conquiste um novo mandato. Quando houve a operação policial contra o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, os presidenciáveis da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais), voltaram a apostar na crise da segurança pública para tentar desgastar a imagem do presidente.

Na época, o marqueteiro Duda Lima, que trabalhou na fracassada campanha de Jair Bolsonaro em 2022, lembrou que daria prioridade ao tema se a eleição fosse naqueles dias, porque a crise na segurança teria apelo de sobra para conquistar o eleitor moderado, considerado o fiel da balança na próxima corrida presidencial. “Eu ia dizer: ‘Se você quer que o bandido continue solto, pode votar no governo. Mas se você quer que o bandido fique morto ou preso, você vai votar na oposição’. Isso ia mexer muito com essa massa do meio”, declarou Lima.

Segundo pesquisas, a segurança pública está no topo das preocupações dos eleitores. Lula sabe disso, mas acha que o fator definidor da próxima corrida eleitoral será a economia — mais especificamente os níveis de emprego e de renda, além da capacidade das famílias de consumir e realizar seus sonhos. O resultado será condicionado, segundo o presidente, pela sensação de bem-estar econômico, que, se estiver alta, tornará secundários os demais assuntos.

Foi por isso que Lula anunciou uma série de bondades em 2025, como a criação de linhas de crédito camaradas para ajudar a classe média a realizar o sonho da casa própria e a ampliação da distribuição de gás de cozinha, da gratuidade da conta de luz e da faixa de isenção do imposto de renda. Para o PT, o bolso falará mais alto que a criminalidade e eventuais desgastes internos provocados pela ‘doutrina Trump’. A conferir.

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