O presidente Lula afirmou, em entrevista à rádio Itatiaia nesta sexta-feira, que o processo de aplicação da Lei de Reciprocidade em relação às tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros é um processo “demorado” e que ele não tem pressa para implementá-la.
“Se for tentar andar na forma que todas as leis exigem, a Organização Mundial do Comércio, vai demorar um ano”, disse. “Temos que dizer para os Estados Unidos que nós também temos coisas pra fazer contra os Estados Unidos. Mas não tenho pressa porque eu quero negociar.”
Questionado sobre a possibilidade de reunir-se com Donald Trump às margens da assembleia geral da ONU, marcada para 9 de setembro, em Nova York, o presidente respondeu que isso dependeria da vontade do americano. “Se o Trump quiser negociar, o Lulinha ‘paz e amor’ está de volta. Eu não quero guerra.”
De todo modo, Lula se queixou de que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o chanceler Mauro Vieira para tratativas, escalados para tratativas comerciais, não conseguiram falar com nenhum de seus homólogos em Washington.
“Esses dias, o Haddad tinha marcado um telefonema com o secretário do Tesouro, ele disse que não podia e apareceu na foto reunido com Eduardo Bolsonaro”, reclamou o petista.
Ele disse que não tentou telefonar para Trump, uma vez que, para isso, o americano teria de emitir um sinal de que quer negociar. “Se o secretário do Tesouro não falou com Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do comércio, por que as pessoas acham que um telefonema para o Trump não ia resolver?”, indagou.
Ao passo em que Lula se disse repetidamente aberto às negociações, também afirmou, por outro lado, que, se os Estados Unidos não quiserem negociar a reversão do tarifaço, o Brasil vai procurar outros mercados para compensar as perdas.
Em outubro, o presidente brasileiro vai fazer visitas de Estado à Malásia e à Indonésia, e, na entrevista, citou a viagem como exemplos de novas fronteiras comerciais que podem ser desbravadas.