O mundo do futebol despede-se de Lucien Muller-Schmidt, que morreu nesta terça-feira, 20, aos 91 anos. Conhecido como “Don Luciano” na Espanha e “Le Petit Kopa” em sua terra natal, o ex-meio-campista francês deixa um legado marcado pela elegância técnica e pela rara distinção de ter triunfado com as camisas dos dois maiores rivais do futebol espanhol.
Nascido em Bischwiller, na Alsácia, Muller iniciou sua ascensão profissional no Strasbourg e no Toulouse, mas ganhou projeção internacional no Stade de Reims. Ao lado de lendas como Raymond Kopa e Just Fontaine, conquistou dois campeonatos franceses (1960 e 1962), consolidando-se como um organizador de jogo de grande visão. Sua classe chamou a atenção do Real Madrid, clube que defendeu entre 1962 e 1965. No Santiago Bernabéu, foi peça fundamental no tricampeonato da La Liga e alcançou a final da Taça dos Campeões Europeus em 1964.
Em 1965, Muller protagonizou uma das transferências mais emblemáticas da época ao assinar com o Barcelona. No clube catalão, manteve o nível de excelência, ajudando a conquistar a Taça das Cidades com Feiras em 1966 e a Copa da Espanha em 1968, em uma final histórica contra o seu ex-clube em Madrid. Pela seleção francesa, acumulou 16 convocações, integrando o elenco semifinalista da Euro 1960 e participando da campanha da Copa do Mundo de 1966.
Após encerrar a carreira de jogador retornando ao Reims, Muller iniciou uma longa trajetória como técnico, dirigindo clubes espanhóis como Castellón, Burgos e Mallorca. Na temporada 1978-79, assumiu o comando do Barcelona, classificando a equipe para a final da Recopa Europeia. Seu maior êxito no banco de reservas, contudo, ocorreu no Monaco, onde conquistou a Copa da França em 1985. Lucien Muller será lembrado como um cavalheiro do esporte, respeitado em ambos os lados dos Pireneus pela sua contribuição indelével ao futebol europeu.