O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, responsabilizou neste sábado, 17, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por mortes ocorridas na onda de protestos que assola o país e vem sendo reprimida duramente pelas forças de segurança.
“Consideramos o presidente americano culpado pelas mortes, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, disse Khamenei, retomando declarações de que Washington estaria insuflando os protestos. Na sequência, ele citou uma “conspiração americana” para “devorar o Irã” e “subjugar o Irã militar, política e economicamente”.
Os protestos que tomaram o Irã desde 28 de dezembro do ano passado começaram como atos contra a crise econômica, liderados por comerciantes, mas em poucas semanas angariaram mais setores da população (em especial, jovens e mulheres) e um complexo caldo de insatisfações, transformando-se na mais séria ameaça à teocracia de turbante desde sua instalação, em 1979.
Embora as manifestações tenham diminuído nos últimos dias diante da repressão e de um bloqueio da internet, em vigor há quase uma semana, o movimento permanece ativo.
Diante dos relatos de brutal repressão, com pelo menos 3.500 pessoas mortas segundo organizações de direitos humanos, Trump vinha ameaçando atacar o país militarmente e instou os iranianos a “tomarem as instituições”.
“A ajuda está a caminho”, escreveu nas redes, afirmando que analisava “opções muito fortes” para responder à matança de manifestantes, inclusive militares, mas pareceu baixar o tom nos últimos dois dias.
Na quarta-feira 14, o republicano baixou o tom, dizendo ter sido informado de que o número de mortes estava diminuindo e que acreditava ter sido adiado, ou cancelado, um plano de Teerã para execuções em larga escala de manifestantes.
Um dia depois, na quinta, Washington anunciou uma série de novas sanções econômicas contra autoridades de segurança e bancárias do Irã, acusando-as de orquestrar uma repressão violenta contra protestos pacíficos e de lavar bilhões de dólares em receitas petrolíferas.
As sanções congelam quaisquer ativos nos Estados Unidos das pessoas e entidades designadas e proíbem americanos de realizar transações comerciais com elas. Instituições financeiras estrangeiras ficam sujeitas a sanções secundárias por realizar transações com as entidades sancionadas.
Entre os alvos está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, a quem Washington acusou de coordenar a repressão e ordenar o uso da força contra os manifestantes. Quatro comandantes regionais das Forças da Ordem e da Guarda Revolucionária Iraniana, a espada e o escudo do regime, também foram sancionados por sua participação na repressão nas províncias de Lorestan e Fars.
As forças de segurança em Fars “assassinaram inúmeros manifestantes pacíficos”, e os hospitais estão “tão lotados de pacientes com ferimentos por arma de fogo que não conseguem admitir outro tipo de pacientes”, segundo o comunicado de Bessent.
Além de figuras ligadas à repressão, o Tesouro identificou dezoito pessoas e entidades acusadas de operar redes que lavam bilhões de dólares das vendas de petróleo iraniano por meio de empresas de fachada nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura e no Reino Unido.