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Líder supremo do Irã ameaça manifestantes ‘a serviço dos EUA’ e manda aviso a Trump

Em meio a uma crescente onda de protestos devido a uma crise inflacionária no país, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou manifestantes de agirem em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-os de vandalismo e lançando ameaças. Segundo ele, “mercenários a serviço de estrangeiros” não seriam tolerados. Suas declarações vieram depois do líder americano ameaçar intervir em Teerã em prol dos participantes dos atos, que vêm sido reprimidos com força letal das forças de segurança iranianas.

“A República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas. Ela não recuará diante de vândalos que buscam nos destruir”, disse Khamenei. “Há alguns agitadores que querem agradar o presidente americano destruindo suas próprias ruas e propriedades públicas. Um povo iraniano unido derrotará todos os inimigos. Apelo urgentemente a Trump para que se concentre nos problemas de seu próprio país”, disparou.

Khamenei também afirmou que as mãos de Trump “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios contra o país no ano passado, e previu que o líder americano “arrogante” seria “derrubado”, assim como a dinastia imperial que governou o Irã até a revolução islâmica de 1979.

Nesta semana, diversos manifestantes passaram a pedir por proteção do presidente americano, inclusive mudando simbolicamente o nome de ruas em sua homenagem. Os protestos continuam nesta sexta, mesmo depois que as autoridades bloquearam redes de comunicação no país para conter a mobilização. “A internet foi desligada para impedir que o mundo visse o que está acontecendo lá”, disse Holly Dagres, pesquisadora sênior do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo.

Movimento crescente

Os protestos começaram em 28 de dezembro devido a uma espiral inflacionária. A moeda iraniana, o rial, despencou em dezembro para 1,4 milhão por dólar, uma baixa histórica.

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Os atos ainda não atingiram a mesma escala do movimento de rua que tomou o país em 2022, mas se espalham com velocidade vertiginosa. Além disso, o regime se encontra em um momento mais vulnerável do que há três anos, ​​devido à economia em crise, sanções redobradas devido ao seu controverso programa nuclear e às consequências da guerra do ano passado com Israel e os Estados Unidos.

Na noite de quinta-feira, manifestantes marcharam por Teerã e outras cidades após chamado do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi. Vídeos compartilhados por ativistas mostraram pessoas gritando slogans contra o governo ao redor de fogueiras (“Morte ao ditador”, “Morte à República Islâmica”, “Esta é a última batalha, Pahlavi retornará”), em meio a destroços que cobriam as ruas.

“Os iranianos exigiram sua liberdade esta noite. Em resposta, o regime no Irã cortou todas as linhas de comunicação”, disse Pahlavi, apelando que líderes europeus se juntem a Trump na responsabilização do governo e no restabelecimento das comunicações.

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Pelo menos 42 pessoas foram mortas em atos de violência relacionados às manifestações, enquanto mais de 2.270 foram detidas, segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos.

Ameaça de Trump

Na semana passada, Trump alertou que, se Teerã “matar violentamente manifestantes pacíficos”, os Estados Unidos “irão em seu socorro”. Em entrevista à emissora americana Fox News na noite de quinta-feira 9, ele afirmou que o Irã foi avisado “ainda mais enfaticamente do que estou lhe dizendo agora, que se fizerem isso, terão que pagar caro”.

O ocupante do Salão Oval se recusou a dizer se se encontraria com Pahlavi. “Não tenho certeza se seria apropriado, neste momento, fazer isso como presidente. Acho que devemos deixar que todos se apresentem e ver quem sai vitorioso”, afirmou à Fox.

Trump sugeriu que Khamenei poderia estar considerando deixar o Irã: “Ele está procurando um lugar para ir. A situação está ficando muito ruim”, disse.

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