O italiano Nicola Assisi, apontado por autoridades italianas e brasileiras como membro da organização mafiosa ‘Ndrangheta na América do Sul, continuará no sistema prisional federal, decidiu o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em agravo regimental. “No presente caso, diante das informações trazidas pelo Departamento Penitenciário Federal e das provas colacionadas aos autos, a prorrogação da permanência do preso no Sistema Penitenciário Federal se mostra recomendável, pois há provas de que é pessoa relacionada com a máfia italiana ‘Ndrangheta, considerada a maior importadora de cocaína da Europa”, registrou no acórdão o desembargador Silvio Cesar Arouck Gemaque. Advogados de defesa tentavam transferi-lo para algum presídio de São Paulo.
De acordo com os autos, um dos motivos para manter Assisi em regime prisional federal é o fato de ainda tentar comandar o grupo mafioso, relatam autoridades brasileiras. “Persistem indícios de que o interno continua tentando exercer liderança e coordenação de atividades ilícitas no ambiente extramuros, por intermédio de terceiros. Ressalte-se ainda, tentativas constantes de transferência para o sistema prisional paulista, indicando interesse em operar sob regime menos rigoroso”, registrou decisão da Justiça Federal. Assisi também é conhecido como “Fantasma da Calábria” diante de suas constantes fugas e táticas adotadas para driblar as autoridades.
Em outubro do ano passado, VEJA mostrou a tentativa de Assisi de fazer Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) depois de uma condenação abaixo de quatro anos, o que foi rejeitado pela Justiça. Ainda segundo o Judiciário, há fortes indícios e elementos probatórios que indicam o envolvimento do réu como integrante de alto escalão da máfia italiana, “além de haver elementos que indicam o seu relacionamento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), com as quais desenvolveu parcerias logísticas para o tráfico internacional”.
Nicola Assisi e seu filho — Patrick — foram presos em julho de 2019 em um apartamento do litoral paulista. O imóvel possuía paredes falsas, “usadas para esconder droga, armas e até para uma eventual fuga”, segundo o superintendente da PF do Paraná, Luciano Flores; e um moderno sistema de vigilância, com uma câmera de 360 graus na área externa do prédio que permitia monitorar – e até dar zoom – em quem entrava e saía da área. “Esse equipamento pode custar acima de 100.000 reais. Era uma central de monitoramento interna independente da do condomínio”, disse à época o delegado Ricardo Hiroshi, do Departamento de Combate ao Crime Organizado da PF.
O que diz a defesa de Nicola Assisi
Ao apresentar o agravo regimental junto ao TRF-3, a defesa de Nicola Assisi afirmou que não estão presentes os requisitos necessários para custódia federal e que os argumentos “despendidos em seu desfavor baseiam-se em ordens de prisões já revogadas, informações datadas e rumores ou boatos não comprovados, acerca de fatos juridicamente distintos dos aqui tratados”. Ainda de acordo com os advogados, a permanência de Assisi no sistema federal gera uma série de malefícios para ele e seus familiares. “Quando está o custodiado em Brasília, enquanto sua família reside no Estado de São Paulo”.