Se você olhar para o céu na noite deste sábado, 10, verá uma “estrela” que não pisca e brilha muito mais intensamente do que as outras. Trata-se de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, que será o grande protagonista da abóbada celeste neste fim de semana. O fenômeno ocorre porque o planeta atinge sua oposição, momento em que a Terra fica alinhada exatamente entre o Sol e Júpiter.
Este alinhamento garante que o planeta nasça no horizonte leste exatamente quando o Sol se põe no oeste, permanecendo visível durante toda a noite até o amanhecer. Segundo dados astronômicos, Júpiter atingirá sua magnitude máxima de -2.7, tornando-se um alvo fácil e inconfundível mesmo em áreas urbanas com poluição luminosa.
Onde e como olhar
Para localizar o gigante gasoso, basta olhar para a direção Leste (o lado onde o Sol nasce) logo após o anoitecer. O planeta estará posicionado na constelação de Gêmeos.
A olho nu: Júpiter aparecerá como um ponto de luz branca intensa e constante. A melhor visualização começa cerca de uma hora após o pôr do Sol, quando o céu estiver totalmente escuro. O planeta subirá gradualmente, atingindo seu ponto mais alto no céu (o meridiano) por volta da meia-noite.
Com binóculos: Com um par de binóculos simples (como um 10×50), é possível ver não apenas o disco do planeta, mas também suas quatro maiores luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — alinhadas como pequenos pontos de luz ao seu redor.
Com telescópios: Um telescópio pequeno ou médio revelará detalhes da atmosfera do planeta, como suas famosas faixas de nuvens paralelas e, dependendo do horário e da estabilidade atmosférica, a Grande Mancha Vermelha, uma tempestade anticiclônica maior que a Terra.
A “dança” das Luas
Um dos espetáculos mais fascinantes para observadores amadores é o movimento das luas galileanas. Descobertas por Galileu Galilei em 1610, elas mudam de posição perceptivelmente ao longo da noite.
Vale destacar que a lua Io tem sido objeto de grande interesse científico recente. A missão Juno, da NASA, registrou recentemente erupções vulcânicas massivas na superfície deste satélite, confirmando seu status como o corpo mais geologicamente ativo do Sistema Solar. Embora não seja possível ver vulcões com telescópios domésticos, saber que se está observando um mundo tão dinâmico adiciona uma camada extra de fascínio à observação.
Dicas para uma melhor experiência
1. Paciência: A observação planetária exige calma. Dedique alguns minutos observando através da ocular para que seu olho se acostume e perceba detalhes sutis que aparecem em momentos de estabilidade atmosférica.
2. Localização: Embora visível da cidade, um local com horizonte leste livre de prédios ou árvores facilitará a identificação logo no início da noite.
3. Use aplicativos: Aplicativos de astronomia, como o Sky Tonight, podem ajudar a identificar a posição exata de Júpiter e de suas luas em tempo real.
Nesta oposição, Júpiter estará em sua maior aproximação da Terra em 2026, a cerca de 4,23 unidades astronômicas de distância. Aproveite a noite de sábado, pois o “Rei dos Planetas” só voltará a estar tão favorável para observação em cerca de 13 meses.