As autoridades suíças identificaram nesta sexta-feira (2) a primeira vítima fatal do incêndio que atingiu um bar lotado durante a virada do ano na estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes suíços. Trata-se de Emanuele Galeppini, golfista italiano de 16 anos que vivia em Dubai e integrava seleções juvenis da Itália. O fogo deixou cerca de 40 mortos e mais de 110 feridos, muitos em estado grave, segundo dados oficiais ainda provisórios.
“O mundo do golfe italiano chora a morte de Emanuele Galeppini, um jovem atleta que carregava paixão e valores genuínos”, afirmou a Federação Italiana de Golfe, em nota. O adolescente estava em Crans-Montana com a família para as festas de fim de ano. Segundo a imprensa italiana, ele foi ao bar Le Constellation com dois amigos, que conseguiram escapar e foram levados a hospitais da região.
O incêndio ocorreu por volta da 1h30 da madrugada de 1º de janeiro, quando o bar estava cheio, sobretudo de jovens que comemoravam o Ano-Novo. Imagens analisadas por investigadores e divulgadas por veículos europeus mostram que o fogo se espalhou em segundos, num fenômeno conhecido como flashover, quando todo o ambiente entra em combustão quase simultaneamente.
A principal linha de investigação aponta para o uso de garrafas de champanhe com faíscas ou sinalizadores, prática comum em casas noturnas europeias como parte de apresentações festivas. Vídeos promocionais antigos do Le Constellation, resgatados pela imprensa suíça e francesa, mostram funcionários circulando com esse tipo de artefato aceso, o que reforçou suspeitas de que o fogo tenha começado no teto do subsolo, possivelmente revestido por material inflamável.
As autoridades alertam que a identificação de todas as vítimas levará dias, já que muitos corpos ficaram gravemente carbonizados. Peritos recorrem a exames de DNA e registros odontológicos. O número exato de mortos também segue em revisão. Embora diplomatas italianos tenham mencionado 47 vítimas fatais, autoridades do cantão de Valais mantêm, por ora, a estimativa de cerca de 40 mortos.
Entre os feridos, há cidadãos de várias nacionalidades. A França confirmou ao menos nove franceses hospitalizados, enquanto Itália, Alemanha e Polônia também recebem pacientes transferidos. A União Europeia informou que está prestando apoio logístico e médico à Suíça.
O caso provocou comoção internacional e reacendeu o debate sobre segurança em ambientes fechados, especialmente após tragédias semelhantes registradas nos últimos anos, como o incêndio em uma boate na Macedônia do Norte e episódios envolvendo pirotecnia em clubes na Espanha e na Rússia. Especialistas em segurança ouvidos pela imprensa europeia destacam que faíscas decorativas, embora comuns, são frequentemente subestimadas como risco, sobretudo em locais com tetos baixos e ventilação limitada.
Crans-Montana, conhecida por receber turistas de alto poder aquisitivo e eventos internacionais de inverno, entrou em luto. Moradores e visitantes se reuniram em vigílias silenciosas diante do bar destruído, deixando flores e velas. O presidente da Suíça anunciou cinco dias de luto nacional, classificando o episódio como uma das tragédias mais traumáticas da história recente do país.
Enquanto isso, as investigações seguem para apurar responsabilidades criminais, incluindo eventuais falhas no cumprimento das normas de segurança contra incêndio. Para famílias como a de Emanuele Galeppini, o processo de luto ocorre em paralelo à espera por respostas. Fotos do jovem ao lado de estrelas do esporte, como Rory McIlroy e Luke Donald, voltaram a circular nas redes sociais, acompanhadas de mensagens de pesar que transformaram o adolescente em um dos símbolos da tragédia nos Alpes suíços.