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Japão reativa maior usina nuclear do mundo, 15 anos após acidente em Fukushima

O Japão reativou parcialmente, nesta quarta-feira, 21, a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo. Nesta primeira etapa, apenas um dos sete reatores foi religado.

A retomada das operações acontece 15 anos depois do acidente de Fukushima, que obrigou o país a desativar todos os seus reatores nucleares. O desastre foi provocado por um terremoto de magnitude 9, seguido de um tsunami, que devastou a usina de Fukushima-Daiichi. 

“Recebemos a aprovação da Autoridade de Regulamentação Nuclear para a reativação do reator e, às 19h02 do mesmo dia, removemos as barras de controle e iniciamos a operação dele”, afirmou a Tokyo Eletric Power Company (Tepco), a responsável pela usina, em um comunicado oficial. “Continuaremos a verificar a integridade dos equipamentos e responderemos à inspeção do órgão fiscalizador”. 

O projeto está previsto para começar a operar comercialmente no próximo mês. A central passou por uma série de reforços para a sua reabertura, incluindo a construção de um muro de 15 metros de altura contra tsunamis, a instalação de novos sistemas elétricos de emergência e a adoção de outros dispositivos de segurança.

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O governador da província de Niigata, onde a usina está localizada, aprovou a reativação no mês passado, apesar de opinião pública contrária. Segundo uma pesquisa realizada em setembro pelo próprio governo, 60% dos moradores da região se opuseram à retomada das atividades nucleares, em comparação aos 37% que apoiaram a iniciativa.

Desde 2015, o Japão religou 15 dos seus 33 reatores nucleares. A usina de Kashiwazaki-Kariwa é a primeira das que pertencem à Tepco a ser reativada. Críticos afirmam que a empresa não estaria preparada para a reabertura da central. Na época do desastre, a companhia foi acusada, pelo governo japonês, de ser a culpada pelo acidente nuclear em Fukushima. No entanto, um tribunal absolveu três de seus executivos. Apesar da isenção da culpa, o medo alimentou a rejeição da população à energia nuclear.

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Antes de 2011, quase 30% da eletricidade do Japão vinha da energia nuclear, e o país planejava aumentar esse percentual para 50% até 2030. No entanto, o plano energético sofreu algumas alterações no ano passado e uma meta mais modesta foi definida: o país pretende que a energia nuclear supra 20% das necessidades elétricas até 2040.

Altamente dependente da importação de energia, o Japão foi um dos primeiros países a usar a radioatividade como uma alternativa aos combustíveis fósseis. Mas, em 2011, todos os 54 reatores do país tiveram que ser desligados após o terremoto mais forte já registrado ter provocado o derretimento do núcleo em Fukushima, causando um dos piores desastres nucleares da história. O acidente causou vazamento radioativo e as comunidades que ali viviam tiveram que deixar o local. Muitas pessoas não retornaram à região, apesar das garantias oficiais de que era seguro voltar. 

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