Israel anunciou nesta terça-feira, 30, que suspenderá a atividade de dezenas de organizações humanitárias na Faixa de Gaza por supostamente não cumprirem novas exigências de entrega de dados pessoais de funcionários palestinos e internacionais. Entre as vetadas, estão as principais ONGs do mundo: Médicos Sem Fronteiras (MSF), ActionAid e Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês). O bloqueio entra em vigor em 36 horas.
O Ministério dos Assuntos da Diáspora de Israel informou que organizações humanitárias que “se recusaram a apresentar uma lista de seus funcionários palestinos para descartar quaisquer ligações com o terrorismo” receberam uma notificação formal de que suas licenças serão revogadas a partir de 1º de janeiro. As ONGs, contudo, já haviam alertado ao jornal britânico The Guardian que as exigências violavam a legislação europeia de proteção de dados e poderiam colocar funcionários em risco.
O anúncio ocorre em meio a fortes chuvas no enclave devastado por dois anos de guerra entre Israel e Hamas. As tempestades destruíram milhares de tendas, de forma a agravar a catástrofe em Gaza. Em declaração, ministros das Relações Exteriores de 10 países — Grã-Bretanha, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Japão, Noruega, Suécia e Suíça — demonstraram “sérias preocupações” com a decisão, que poderá levar a uma “nova deterioração da situação humanitária”.
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“Com a chegada do inverno, os civis em Gaza enfrentam condições terríveis, com fortes chuvas e queda de temperatura”, disse o comunicado. “1,3 milhão de pessoas ainda precisam de abrigo urgente. Mais da metade das instalações de saúde estão funcionando apenas parcialmente e enfrentam escassez de equipamentos e suprimentos médicos essenciais. O colapso total da infraestrutura de saneamento deixou 740 mil pessoas vulneráveis a inundações tóxicas.”
Os ministros também apelaram pelo fim “restrições injustificadas às importações consideradas de dupla utilização”, como o governo israelense define itens que podem ser utilizados pelo Hamas. Entre os objetos bloqueados, estão equipamentos médicos e de abrigo. Eles pediram, ainda, para a abertura de passagens para impulsionar o fluxo de ajuda humanitária rumo à Faixa de Gaza. Muitas delas — incluindo uma das principais, Rafah, que faz fronteira com o Egito — permanecem fechadas.
“Os processos alfandegários burocráticos e as extensas inspeções estão causando atrasos, enquanto a carga comercial está sendo permitida com mais liberdade”, acrescentou o texto. “A meta de 4.200 caminhões por semana, incluindo uma alocação de 250 caminhões da ONU por dia, deve ser um mínimo, não um máximo. Essas metas devem ser revistas para que possamos ter certeza de que os suprimentos vitais estão chegando na grande escala necessária.”