As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) ordenaram que dezenas de famílias palestinas deixassem suas casas em um bairro de Bani Suhaila, no sul da Faixa de Gaza. O episódio foi denunciado pelo Hamas, que controla a região, e por moradores nesta terça-feira, 20. Essa é a primeira evacuação orientada por Tel Aviv desde o cessar-fogo que suspendeu o conflito de dois anos na região.
De acordo com moradores de Bani Suhaila, uma cidade localizada a leste de Khan Younis, as IDF lançaram panfletos sobre o bairro de Al-Reqeb, onde famílias palestinas viviam em acampamentos improvisados. “Mensagem urgente. A área está sob controle das Forças de Defesa de Israel. Você deve evacuar imediatamente”, diziam os folhetos.
O Exército israelense confirmou ter lançado as peças, mas negou qualquer plano de expulsar os palestinos da região. Segundo as IDF, o objetivo dos panfletos era alertar a população local para não cruzar a linha de armistício com o Hamas.
A prática foi recorrente ao longo dos dois anos de guerra entre Israel e o grupo militante palestino, mas havia sido suspensa desde o cessar-fogo. Tel Aviv costumava disparar panfletos sobre áreas que estavam prestes a ser invadidas ou bombardeadas, fazendo com que famílias tivessem que mudar de residência diversas vezes.
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Segundo o diretor do escritório de mídia de Gaza controlado pelo Hamas, Ismail Al-Thawabta, as IDF vêm expandindo constantemente a linha amarela, uma fronteira interna que delimita a divisão territorial temporária firmada no cessar-fogo. Ele afirma que pelo menos 9 mil pessoas foram deslocadas devido à prática.
A declaração de Al-Thawabtar é confirmada pelo palestino Mahmoud, um morador de Bani Suhaila que concedeu entrevista à agência de notícias Reuters. “Esta é, talvez, a quarta ou quinta vez que a ocupação expande a linha amarela desde o mês passado”, contou o pai de três filhos, que teve que fugir de casa devido ao episódio mais recente”.
“A cada deslocamento, eles avançam de 120 a 150 metros para dentro do território controlado pelos palestinos, engolindo mais terra”, contou ele.
Israel e Hamas firmaram um acordo de cessar-fogo em 10 de outubro de 2025. O acordo previa a pacificação da região a longo prazo, mas não avançou para além da sua primeira fase. Nesse momento, as IDF se retiraram de menos de metade do território palestino, e o Hamas libertou reféns em troca de prisioneiros sob o controle de Tel Aviv.
No início da semana, Israel também foi alvo de críticas pela demolição da sede da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos, a UNRWA, em Jerusalém Oriental. A organização definiu a ação como um ataque “sem precedentes”, enquanto membros do governo comemoraram o “dia histórico”. O episódio representa uma escalada das tensões entre Tel Aviv e a agência da ONU, que está proibida de operar em território israelense desde janeiro de 2025.
“Este é um ataque sem precedentes contra a UNRWA e suas instalações. E isso também constitui uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas”, afirmou o porta-voz da agência, Jonathan Fowler, em comunicado à agência de notícias AFP. “O que acontecer hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo.”