Israel iniciou a demolição da sede da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos, a UNRWA, em Jerusalém Oriental nesta terça-feira, 20. A organização definiu a ação como um ataque “sem precedentes”, enquanto membros do governo comemoraram o “dia histórico”. O episódio representa uma escalada das tensões entre Tel Aviv e a agência da ONU, que está proibida de operar em território israelense desde janeiro de 2025.
“Este é um ataque sem precedentes contra a UNRWA e suas instalações. E isso também constitui uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas”, afirmou o porta-voz da agência, Jonathan Fowler, em comunicado à agência de notícias AFP. “O que acontecer hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo.”
Ao longo desta manhã, era possível ver tratores israelenses demolindo estruturas no complexo. Segundo Fowler, soldados de Israel chegaram à sede pouco depois das 7h00 locais (aproximadamente 2h no horário de Brasília). Só havia seguranças no escritório, uma vez que as atividades da agência foram proibidas após uma disputa judicial de meses a respeito de um suposto vínculo entre funcionários e o grupo terrorista Hamas.
Imagens do local mostram o maquinário pesado em meio aos destroços do escritório da UNRWA. Outro registro mostra uma bandeira de Israel erguida sobre as estruturas demolidas.




O Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu a legalidade da ação, afirmando em comunicado que “o Estado de Israel é dono do complexo de Jerusalém”, que a UNRWA já havia encerrado suas operações no local e não havia mais funcionários ou atividade das Nações Unidas lá. Além disso, a pasta acrescentou que “o complexo não goza de imunidade” e sua apreensão “foi realizada de acordo tanto com o direito israelense, quanto com o direito internacional”.
“A ação de hoje não constitui uma nova política, mas sim a aplicação da legislação israelense existente relativa à UNRWA-Hamas”, completou o ministério em nota.
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O diretor da UNRWA na Cisjordânia, Roland Friedrich, afirmou à AFP que as Nações Unidas rejeitam a alegação de Tel Aviv, insistindo que a sede “segue sendo propriedade da ONU, estando protegida pelos privilégios e imunidades da organização”. A medida também foi condenada pelo Ministério das Relações Exteriores da Jordânia, que a definiu como uma “flagrante violação do direito internacional”.
Políticos em Tel Aviv, por outro lado, comemoraram. “Este é um dia histórico, um dia de celebração e um dia muito importante para a governança em Jerusalém”, celebrou o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir. “Por anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão sendo removidos com tudo o que construíram neste lugar. É isso que acontecerá com todo apoiador do terrorismo”, disparou.
A UNRWA vem sendo constantemente acusada de manter relações próximas com o Hamas. Segundo Israel, funcionários da agência tiveram papel ativo no atentado de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Diferentes inquéritos foram deflagrados para apurar as acusações, incluindo uma investigação liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna. Segundo ela, “há questionamentos relacionadas à neutralidade” da UNRWA, mas o governo israelense não forneceu provas conclusivas para sua principal alegação.