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Irã declara ter eliminado todos os protestos e põe em 3.000 número oficial de mortos

O governo do Irã declarou na quarta-feira 21 que os protestos que sacudiram o país desde o fim de dezembro foram completamente sufocados, após uma repressão violenta que deixou milhares de mortos. “A sedição acabou”, afirmou o procurador-geral iraniano, Mohammad Movahedi, em declaração divulgada pela agência oficial do Judiciário, a Mizan News. Segundo ele, os responsáveis pelas manifestações serão julgados e punidos “de acordo com todos os procedimentos legais”.

O regime afirma que a onda de protestos, que chegou a ser vista como uma ameaça real ao governo dos aiatolás, foi neutralizada. Ao mesmo tempo, divulgou, pela primeira vez, um balanço oficial de mortes, estimando que mais de 3 mil pessoas tenham perdido a vida durante os confrontos. O número é inferior ao levantamento mais recente da Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização sediada nos Estados Unidos, que contabilizou 4.519 mortos até terça-feira.

Onda de insatisfação

As manifestações começaram no fim de dezembro, impulsionadas pelo colapso da economia iraniana e pelo derretimento da moeda nacional, o rial, que perdeu quase 50% do valor contra o dólar ao longo de 2025 e atingiu uma baixa histórica no último mês do ano. Com o avanço da repressão, os atos ganharam um caráter mais amplo, transformando-se em um movimento de contestação direta ao regime teocrático que governa o país desde 1979.

Imagens e depoimentos divulgados no auge dos protestos indicam que o governo promoveu uma das repressões mais letais das últimas décadas. Testemunhas relataram o uso de armas automáticas contra manifestantes desarmados, além de prisões em massa. Segundo grupos de direitos humanos, milhares de pessoas continuam detidas e algumas sofreram tortura, incluindo espancamentos e estupros.

Um rígido bloqueio à internet e a disseminação de fake news tornaram o acesso a informação difícil dentro e fora do país. Ainda assim, relatos de testemunhas e de organizações de direitos humanos apontam para um clima de silêncio nos últimos dias, com a reabertura gradual de escolas e comércios sob vigilância de forças de segurança nas ruas. O governo prometeu restabelecer o acesso à internet em breve, mas indicou que plataformas estrangeiras podem continuar bloqueadas.

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Repressão contínua

As autoridades iranianas acusam os organizadores dos protestos de terrorismo e de ligação com governos estrangeiros. Movahedi afirmou que os chamados “provocadores” serão julgados, inclusive sob a acusação de “guerra contra Deus” — crime que, no Irã, pode levar à pena de morte.

Em meio aos protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar uma intervenção militar, afirmando que o país estava “pronto para agir” para proteger os manifestantes iranianos, a quem incentivou a “tomar instituições” do Estado.

A resposta mais dura de Teerã veio na terça-feira, quando o chanceler Abbas Araghchi escreveu em um artigo no jornal The Wall Street Journal que o Irã “não hesitará em responder com tudo o que tiver” em caso de novo ataque. “Isso não é uma ameaça, mas uma realidade que precisa ser dita com clareza”, afirmou, acrescentando que “a violência nas ruas diminuiu e a vida normal foi retomada em todo o país”.

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