O Irã cortou o acesso à internet enquanto protestos antigovernamentais se espalham pelo país, informou a emissora americana CBS News nesta quinta-feira, 8, com base em fontes que estão em Teerã. Até o momento, confrontos entre manifestantes e policiais deixaram pelo menos 39 mortos, incluindo pelo menos quatro membros das forças de segurança, e mais de 2.260 presos, de acordo com a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA. Os atos já duram 12 dias e não dão sinais de apaziguamento.
Às 21h no horário iraniano (15h em Brasília), o site de monitoramento NetBlocks advertiu que “que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet; o incidente ocorre após uma série de medidas crescentes de censura digital contra protestos em todo o país e prejudica o direito do público à comunicação em um momento crítico”.
Antes disso, a NetBlocks já havia alertado que “dados de rede em tempo real mostram que Teerã e outras partes do Irã estão entrando em um apagão digital, com a conectividade da internet caindo em vários provedores; o novo incidente segue bloqueios regionais e provavelmente limitará severamente a cobertura de eventos no local à medida que os protestos se espalham”.
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Uma fonte da CBS News na capital afirmou que haviam “multidões enormes por toda Teerã”, o que definiu como “algo sem precedentes”. Ela também informou que apenas algumas pessoas, com contas comerciais e mais confiáveis, ainda tinham internet. Um pouco depois, a emissora passou a não conseguir entrar em contato com a fonte, sugerindo que o apagão digital havia ampliado. Ativistas anti-regime também denunciaram que o sinal caiu ou estava restrito nas cidades de Esfahan, Lodegan, Abdanan e em partes de Shiraz.
As interrupções na internet ocorreram após o príncipe herdeiro iraniano exilado, Reza Pahlavi, filho do ex-xá Mohammad Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA, convocar manifestações para as 20 horas locais de quinta e sexta-feira. Nesse horário, foram ouvido cânticos de “Morte ao ditador!” e “Morte à República Islâmica!”, além de “Esta é a última batalha! Pahlavi voltará!”.
Em meio ao caos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou mais gasolina ao advertir que pode intervir diretamente no Irã caso o governo mate manifestantes. A ameaça foi recebida com indignação e ganhou ainda mais peso após a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares americanos no último final de semana.