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IMC elevado é associado a maior risco de um tipo de demência; entenda a relação

Nos últimos anos, os médicos têm batido na tecla de que tudo que faz bem ao coração também faz bem ao cérebro. E o oposto é verdadeiro. Situações que colocam em risco as artérias que alimentam o músculo cardíaco podem comprometer os vasos sanguíneos da massa cinzenta, elevando o risco de derrame e demência.

Nesse sentido, um novo estudo atesta a estreita relação entre o excesso de peso e o desenvolvimento da demência vascular. Depois de analisar dados e exames das populações dinamarquesa e britânica, uma equipe da Universidade de Copenhague descobriu que o índice de massa corporal (IMC) elevado está diretamente associado à maior propensão desse quadro marcado por prejuízos progressivos à memória e à autonomia.

“A demência vascular é um diagnóstico mais frequente com o avançar da idade. Ela é causada pelo entupimento de pequenos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro”, descreve a geriatra Mariana Bellaguarda Sepulvida, coordenadora de geriatria do Hospital São Luiz/ Rede D’Or de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Nesse contexto, vasinhos são obstruídos com o passar do tempo, levando à destruição de neurônios e das conexões entre eles, o que acarreta o comprometimento cognitivo e a evolução para a demência propriamente dita.

“Em geral, os fatores de risco por trás de infarto e AVC são os mesmos da demência vascular, entre eles a pressão alta e a obesidade”, explica a especialista.

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É o que mostra a nova pesquisa, publicada no periódico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Os autores dinamarqueses identificaram, tanto pela análise observacional da população estudada como por suas características genéticas, uma relação entre o IMC – calculado dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros) – e esse tipo de demência.

Um IMC acima do ideal, típico do estado de sobrepeso ou obesidade, está intimamente ligado ao quadro neurológico, e parte da explicação reside em outro fator de risco conhecido e comum a ambas as condições, a hipertensão.

A demência vascular é, segundo alguns estudos nacionais, uma das mais prevalentes no Brasil, ao lado do Alzheimer. Enquanto o excesso de peso cria um estado inflamatório nocivo ao sistema circulatório e a diversos órgãos, entre eles coração e cérebro, a pressão alta propicia um ambiente favorável a danos nas artérias – não à toa, é uma das grandes patrocinadoras dos derrames.

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Por essa razão, como sustenta o trabalho recém-publicado, medidas como o controle do peso e a aferição periódica da pressão arterial são extremamente bem-vindas para prevenir ou mitigar lesões no cérebro, fenômeno que acarreta uma série de problemas – da perda de memória à dificuldade de orientação no espaço e no tempo, arruinando a independência no dia a dia.

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