O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira, 5, puxado pela valorização do petróleo no mercado internacional em meio à repercussão do ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela. Na agenda local, o agentes de mercado esperam dados da balança comercial. Por volta das 11h30, o Ibovespa subia 1,21% a 163.828,63 pontos.
Investidores aguardam os dados da balança comercial, que serão divulgados às 15h. A expectativa do mercado é de um superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em dezembro, após saldo positivo de US$ 5,842 bilhões em novembro, o que representa um aumento de 53% em relação a dezembro de 2024. O setor financeiro opera em alta, enquanto observa também observa de longe as polêmicas envolvendo o caso do Banco Master.
Mais cedo, o Banco Central recorreu contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou uma inspeção em relação à liquidação do Banco Master. No recurso, o Banco Central afirmou que o regimento interno do TCU determina que apenas decisões colegiadas podem determinar inspeções em órgãos federais. Desse modo, o BC cobra a indicação de uma decisão deferida pela Primeira Turma do TCU.
“Tendo em vista que não há indicação de deliberação da Primeira Câmara do TCU determinando a inspeção no BCB, serve-se esta autarquia dos presentes embargos de declaração para solicitar que tal omissão seja sanada, mediante a indicação da decisão do referido colegiado acerca da mencionada diligência”, diz o BC em recurso.
Cenário global domina o mercado
O mercado acionário brasileiro sobe em meio à alta global das commodities, com o petróleo Brent avançando 0,63%, a 62,15 dólares. Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue, diz que a Venezuela deve continuar pautando o mercado devido à agenda sem grandes dados a serem divulgados.
As Nações Unidas afirmaram nesta terça-feira, 6, que a operação dos Estados Unidos em Caracas que levou à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro violou um “princípio fundamental” do direito internacional. Esta é a mais recente de uma série de condenações mundo afora à ação militar, que o governo do presidente Donald Trump sustenta ser legal.
“Os Estados não devem ameaçar nem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, referindo-se ao Artigo 2º, parágrafo 4, da Carta da ONU, que diz: “Todos os Membros deverão abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”.
O novo pronunciamento das Nações Unidas ocorre três dias após os ataques dos Estados Unidos contra a capital venezuelana para capturar Maduro. Esse foi o posicionamento mais forte da instituição até agora sobre o caso. Até então, representantes haviam expressado profunda preocupação e pedido pela desescalada na situação.
A disputa bélica tem gerado apreensão no mercado de câmbio, com queda do dólar e fuga para o ouro. Por volta das 11h30, a moeda americana recuava 0,61%, a 5,37 reais. Já o ouro subia 0,88%, a 4.490,15 dólares a onça troy. “A agenda econômica deve continuar morna até a próxima quarta-feira e quinta-feira, quando dados da economia americana e do continente europeu serão divulgados”, diz Yamashita, da Avenue.