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Ibovespa opera em leve alta em dia de agenda esvaziada e baixo volume após feriado de ano novo

O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira, 2, em um dia de agenda econômica esvaziada após o feriado de ano novo. No cenário político, a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até 5 mil reais por mês e a taxação da carne brasileira pela China são destaques. No panorama corporativo, a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a aquisição de uma fatia da Azul pela United Airlines e a conclusão da venda da Avon Internacional pela Natura movimentam o dia.

Por volta das 11h30min, o Ibovespa subia 0,18%, a 161.409,58 pontos. O dólar recuava 0,7%, a 5,438 reais. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até 5 mil reais por mês começou a valer nesta quinta-feira, 1°. A medida deve retirar cerca de 10 milhões de brasileiros da cobrança do IR e reduz a carga para outros 5 milhões.

Já no agronegócio, a situação não vai tão bem. A China começou a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem os limites de cota estabelecidos para seus principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Ministério do Comércio chinês, entrou em vigor ontem, 1º de janeiro, e terá duração de três anos, com aumento anual do volume total permitido.

Segundo Pequim, a cota global de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas, número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024. Ainda assim, os novos limites ficam abaixo do volume embarcado nos primeiros 11 meses de 2025 por alguns dos maiores exportadores, especialmente Brasil e Austrália.

Ao anunciar as chamadas “medidas de salvaguarda”, o Ministério do Comércio afirmou que “o aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria doméstica da China”. A investigação que embasou a decisão foi iniciada em dezembro do ano passado e, segundo as autoridades, não teve como alvo nenhum país específico.

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As importações chinesas de carne bovina somaram 2,59 milhões de toneladas nos primeiros 11 meses deste ano, queda de 0,3% em relação ao mesmo período anterior. Para Hongzhi Xu, analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, as novas tarifas devem reduzir ainda mais o volume importado em 2026. Ele afirmou que a pecuária chinesa não é competitiva frente a países como Brasil e Argentina e que essa desvantagem não pode ser revertida no curto prazo.

Após o anúncio, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, minimizou o fato. Em entrevista à TV Globo, Fávaro disse que a decisão chinesa, de um modo geral, “não é algo tão preocupante”. Isso porque, segundo o ministro, o Brasil trabalhou, nos últimos anos, pela ampliação dos mercados internacionais para o produto. “Abrimos 20 mercados para carne bovina por todo o mundo, mais ampliações de mercados que já eram abertos. Portanto, o Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais”, afirmou Fávaro.

Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, além de volumes relevantes da Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Nos primeiros 11 meses de 2025, os embarques brasileiros já alcançaram 1,33 milhão de toneladas, superando com folga os níveis de cota definidos pelas novas regras de Pequim. Diante dessa notícia, as ações da Marfrig lideravam as perdas do pregão com baixa de 3,65%, a 19,25 reais. Do outro lado, Pão de Açúcar subia 5% diante da queda dos juros futuros, com o mercado precificando redução da Selic em março.

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Panorama corporativo chama atenção com Natura e Azul

O noticiário corporativo ainda traz informações sobre Natura e Azul. A empresa de cosméticos informou que concluiu a venda da Avon Internacional para a a Regent no dia 31 de dezembro de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta sexta-feira, 2. Os papéis da companhia recuavam 0,54%, a 7,41 reais.

A transação foi realizada por um valor simbólico de 1 libra esterlina pelos ativos, isso porque, a Avon Internacional drenava o caixa da Natura. Somente no primeiro semestre de 2025, a Natura teve perdas de R$ 1 bilhão com a companhia ao considerar impactos cambiais. Veja detalhes nesta reportagem.

Já a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição de uma participação minoritária da United Airlines na Azul. Segundo o documento do Cade, a aquisição faz parte da reestruturação societária da Azul nos Estados Unidos da América, sob o denominado Chapter 11, iniciado voluntariamente pela Azul em maio de 2025.

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“A reestruturação objetiva reduzir a dívida financiada da empresa e assegurar recursos de liquidez imediata, prevendo ainda a emissão de novas ações”, diz o documento.

A United Airlines deve adquirir aproximadamente  US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul, o que representará um acréscimo nos direitos econômicos de 2,02% para aproximadamente 8%. Por volta das 11h30, as ações da Azul recuavam 16,39%, a 1.505,00 reais. A baixa acontece em meio a necessidade de emissão de novos ações no valor de US$ 650 milhões para essa aquisição, que acabou diluindo o acionista minoritário, jogando o preço do papel para baixo.

Em um dia sem grandes destaques na agenda econômica, a Bolsa sobe com baixo volume negociado. A ressaca de fim de ano traz boas perspectivas para os ativos brasileiros em meio ao otimismo global.

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