O Ibovespa opera em forte alta nesta quarta-feira, 21, com o mercado global eufórico com países emergentes em meio as tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia. No cenário local, a Faria Lima se empolga com a diminuição da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em pesquisa eleitoral.
Por volta das 11h30, o Ibovespa subia 1,74%, aos 169.174 pontos, recordo histórico para o indicador. O dólar recuava 0,84%, a 5,331 reais. Na visão de Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o investidor estrangeiro está preocupado com a guerra comercial que se desenha entre os Estados Unidos e União Europeia. Além disso, há receios de uma escalada das tensões para um conflito bélico entre os Estados Unidos e os países europeus por causa da Groenlândia.
Em discurso nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os EUA protegeram a Groenlândia de uma invasão do inimigo no fim da segunda guerra mundial e que Dinamarca está sendo ingrata neste momento. “Depois da guerra, devolvemos a Groenlândia. Como fomos estúpidos!”, disse Trump. O político disse que os EUA estabeleceram bases na Groenlândia para a Dinamarca, e que lutaram pela Dinamarca.
“Esta enorme ilha desprotegida faz parte da América do Norte, na fronteira norte do Hemisfério Ocidental. Esse é o nosso território”, reforçou o americano. O republicano tem repetido que os EUA precisam da Groenlândia, território rico em terras raras e, segundo ele, “vital” para o Iron Dome (Domo de Ferro), o sistema antimísseis que pretende construir. Autoridades dinamarquesas e americanas se reuniram na última semana, mas não chegaram a um acordo.
Em meio às ameaças de Trump, países europeus enviaram tropas para a ilha no Atlântico Norte, entre eles Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. Em resposta ao envio de tropas, Trump anunciou uma tarifa de 10% para oito países europeus caso se oponham à anexação. Os ministros das Finanças da França e da Alemanha disseram que o bloco deve discutir, em reunião em Bruxelas na próxima quinta-feira, um pacote de respostas.
Uma das alternativas é um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (US$ 107,7 bilhões) em importações dos EUA, que poderia entrar em vigor em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses. “Nós, europeus, precisamos deixar claro: o limite foi atingido”, disse Lars Klingbeil. “Nossa mão está estendida, mas não estamos dispostos a ser chantageados”, acrescentou o ministro.
Essas tensões comerciais e possivelmente bélicas afastam investidores dos mercados desenvolvidos e os atraem para os países emergentes. Esse, no entanto, não é o único motivo para a alta da Bolsa. Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, afirma que a mais recente pesquisa AtlasIntel mostra uma redução na distância entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. Em dezembro, a distância era de 12 pontos percentuais e agora está em menos de 5 pontos. Lula tem 49,2% e o senador 44,9%. “O mercado tende a acreditar que as eleições serão muito mais competitivas do que se imaginava”, conclui Mollo.