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Groenlândia: quanto os EUA já pagaram para comprar territórios estrangeiros

As tensões entre Estados Unidos e Europa arrefeceram nesta semana, após o anúncio de uma “estrutura de um acordo” sobre a Groenlândia, o território dinamarquês rico em minérios e plantado no extremo norte do globo cobiçado pelo presidente americano, Donald Trump. Mas, Trump sendo Trump, a recomendação é esperar a imprevisibilidade. Como um jogador de pôquer, primeiro aposta alto, põe e tira as fichas da mesa, compra o que pode, ensaia quebrar a banca, arremessa tudo para o alto, finge blefar, mas não — e, em muitos casos, subverte as regras, namorando a virada de mesa. Difícil saber o que guarda o dia de amanhã para a Groenlândia, que inclusive já rechaçou o tal do acordo.

O certo é que o chefe da Casa Branca vem batendo na tecla de compra do território desde o primeiro mandato e, como que justificando a ambição, não cansa de citar a Louisiana, adquirida dos franceses em 1803, e o Alasca, que pertencia à Rússia, em 1867. Mas as normas internacionais mudaram desde o século XIX, quando a terra era tratada como ativo patrimonial do Estado.

Um dos princípios estabelecidos pela Carta da ONU, após a Segunda Guerra Mundial, foi o da autodeterminação dos povos, o que significa que tanto a Dinamarca quanto os moradores da Groenlândia, para quem a ilha “não está à venda”, teriam que aprovar a transação.

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Fora a Louisiana e o Alasca, há mais de 80 anos, a própria Groenlândia recusou uma primeira proposta dos americanos, no valor de US$ 100 milhões. O montante sobre a mesa hoje atingiria facilmente a casa das dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, dada a valorização estimada dos recursos minerais estocados nos seus subsolos.

A emissora NBC News, citando especialistas e ex-membros do governo federal americano, deu a cifra de US$ 700 bilhões (R$ 3,7 trilhões), sem especificar a metodologia. No jornal The New York Times, David Baker, um ex-economista do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, chegou ao valor de entre US$ 12 bilhões e US$ 77 bilhões após levar em consideração os valores já pagos pelo país para a aquisição de outros territórios e cruzar com os dados de inflação e crescimento econômico dos Estados Unidos e da Dinamarca.

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Veja o histórico dos EUA de compras e anexações de terras:

  • Louisiana — em 1803, os Estados Unidos compraram o estado por US$ 15 milhões. Para historiadores, foi um valor proporcionalmente gigantesco para a época, mas hoje seria uma bagatela de US$ 400 milhões (o preço de um superiate). Na época, Napoleão Bonaparte precisava do dinheiro para manter sua guerra com a Inglaterra;
  • Flórida — em 1819, depois de incursões militares dos Estados Unidos na região onde fica o estado americano, a Espanha foi forçada a negociar a venda do território por US$ 5 milhões (cerca de US$ 130 milhões hoje). A transação foi consolidada pelo Tratado Adams-Onis, que incluiu a desistência formal da nação europeia a qualquer direito sobre o estado;
  • Texas — em 1836, americanos que compartilhavam o território com mexicanos o tomaram à força e fundaram a República do Texas. Depois da Guerra Mexicana-Americana (1846-1848), os Estados Unidos anexaram o estado do Texas a seu território;
  • Alasca — em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia por US$ 7,2 milhões (pouco mais de US$ 130 milhões com ajuste pela inflação). A aquisição foi consumada por tratado e ratificada pelo Senado (assim como a compra de Louisiana). Na época, o território era cobiçado pelo Reino Unido e os russos decidiram vendê-lo, para ganhar algo em troca, ao invés de correr o risco de perdê-lo;
  • Ilhas Virgens — em 1917, os Estados Unidos compraram da Dinamarca, por US$ 25 milhões em ouro (atualmente, cerca de US$ 650 milhões), as Danish West Indies, que passaram a se chamar Ilhas Virgens Americanas. A compra, depois da Primeira Guerra Mundial, foi consolidada por uma Convenção de Cessão das ilhas de São Tomás, São João e Santa Cruz;
  • Porto Rico, Guam e Filipinas – em 1898, esses países se tornaram territórios dos Estados Unidos depois da Guerra Espanhola-Americana. Por meio do Tratado de Paris, primariamente, Porto Rico e Guam foram cedidos ao país. As Filipinas foram compradas por US$ 20 milhões (corrigido pela inflação, aproximadamente US$ 780 milhões), mas, em 1946, se tornou nação independente.

As Ilhas Marianas do Norte e a Samoa Americana, além de várias ilhas desabitadas, como a Ilha Wake e o Atol Palmyra, também são consideradas territórios dos Estados Unidos. Os habitantes de todos eles (menos da Samoa Americana) são cidadãos americanos e estão sujeitos às leis do país, mas não têm representação no Congresso, nem direito a votar em eleições.

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