Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que vivem no estado do Rio de Janeiro passam a ser atendidos gratuitamente em quatro hospitais e clínicas privadas da Hapvida. Contratos assinados nesta sexta-feira, 16, garantem à rede pública mais de 3,7 mil cirurgias e Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs) por ano. A medida integra o programa federal Agora Tem Especialistas, que permite a conversão de dívidas da rede privada com o SUS em atendimentos à população.
A partir do acordo, unidades privadas localizadas na capital fluminense, em Niterói e em Duque de Caxias passam a receber pacientes encaminhados pelo sistema público. Estão previstos atendimentos nas áreas de ginecologia, cardiologia, oncologia e ortopedia, com uma média de cerca de 315 procedimentos por mês. No total, o volume de serviços equivale a R$ 4,8 milhões por ano em cirurgias e atendimentos ambulatoriais.
Os encaminhamentos serão feitos pelas secretarias estadual e municipais de saúde. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro direcionará pacientes da capital e de outros municípios para três unidades privadas: o Hospital do Coração Duque de Caxias, o Hospital Notrecare Rio, na capital, e o Hospital Santa Martha, em Niterói. Nessas unidades, estão previstas cerca de 600 cirurgias cardíacas e ortopédicas por ano, incluindo procedimentos como angioplastia coronariana com implante de stent e correção de lesões no menisco.
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói encaminhará os pacientes para a Clínica de Niterói e para o Hospital Santa Martha, responsáveis pela realização das Ofertas de Cuidados Integrados. Esse modelo reúne, por exemplo, a primeira consulta, os exames diagnósticos e o retorno médico para definição do tratamento. Ao longo do ano, estão previstos 3.180 procedimentos ambulatoriais, com foco em ortopedia, saúde da mulher e avaliação de risco cirúrgico, etapa necessária antes da realização de cirurgias.
O funcionamento do acordo se baseia na conversão de dívidas de ressarcimento ao SUS em atendimentos diretos à população. Essas dívidas geralmente ocorrem quando beneficiários de planos de saúde são atendidos na rede pública por procedimentos que deveriam ter sido realizados pela operadora. No caso da Hapvida, a estimativa é de que cerca de R$ 365 mil por mês deixem de ser pagos em dinheiro e passem a ser transformados em consultas, exames e cirurgias para pacientes do SUS.
Entre os participantes estão grandes grupos hospitalares, como a Rede D’Or e o Grupo Athena. Ao todo, 28 hospitais privados encerraram 2025 com cerca de R$ 150 milhões convertidos em consultas, exames e cirurgias para o sistema público. Ainda em janeiro deste ano, novas contratualizações devem elevar esse montante para R$ 200 milhões.
No estado do Rio, a Rede D’Or passou a oferecer cirurgias cardiológicas gratuitas para o SUS em unidades localizadas na capital e em Niterói, incluindo procedimentos de alta complexidade, como revascularização do miocárdio. Já outras instituições privadas e filantrópicas também aderiram ao modelo em diferentes regiões do país, oferecendo desde cirurgias oncológicas até procedimentos de menor complexidade, como correção de hérnias e vasectomias.