Dos 18 governadores que estão em fim de mandato, doze podem disputar uma vaga ao Senado em seus Estados nas eleições de outubro deste ano, quando 54 das 81 vagas da Casa estarão em disputa. Dois deles, porém, despontam como curiosas exceções: Carlos Brandão (sem partido), chefe do Executivo do Maranhão, e Marcos Rocha (União), de Rondônia. Ambos resistem à ideia de entregar os cargos e a máquina administrativa que comandavam nas mãos de seus respectivos vices por receio de traição.
Muito embora lidere as pesquisas de intenção de voto no Maranhão, Brandão tem se mostrado disposto a permanecer no governo até o fim do mandato, em dezembro. Se fosse concorrer, ele seria obrigado a se afastar até abril, mas ele se recusa a entregar o posto a Felipe Camarão (PT), seu vice, de quem se tornou adversário.
Se Brandão resolver permanecer no cargo, no entanto, abrirá caminho para que Camarão tenha a chance de disputar o Senado. “Vou até o fim porque não vou entregar o cargo a alguém que se juntou com meus adversários”, afirmou o governador do Maranhão.
Uma situação semelhante acontece em Rondônia. Lá, o governador Marcos Rocha (União) também pensa em desistir de disputar a vaga de senador nas eleições deste ano, apesar de surgiu como favorito nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento. Em junho do ano passado, Rocha fez uma viagem para Israel e, em razão da guerra, ficou retido no aeroporto de Tel-Aviv por quase uma semana.
Sérgio Gonçalves (União), o vice, aproveitou a ausência do governador e impetrou uma ação na Justiça pedindo a suspensão de uma lei local que permitia Rocha continuar exercendo seu cargo mesmo estando fora do Estado. O episódio serviu de motivo para que os dois rompessem. “É muito difícil entregar o governo nas mãos de alguém que me trai”, afirmou Rocha em entrevista. O governador, porém, não descarta rever a decisão.