As forças de segurança do Irã entraram em confronto com manifestantes que realizavam um ato pacífico no grande bazar de Teerã nesta terça-feira, 6. Os agentes dispararam gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, em mais um episódio de violência no décimo dia de mobilizações populares que se espalharam pelo país, motivadas pelo agravamento da situação econômica.
Pelo menos 35 pessoas foram mortas desde o início dos atos, e mais de 1.200 foram presas pelas autoridades em meio a confrontos entre manifestantes e forças de segurança. O episódio dessa terça é emblemático, uma vez que ocorreu em um espaço conhecido por ter sido um centro de ativismo ao longo da Revolução Iraniana de 1979.
Organizações de direitos humanos têm acusado as autoridades iranianas de tomar medidas repressivas contra os manifestantes. Na província de Illam, no oeste do país, um vídeo mostrou agentes do Estado com equipamento anti-motim invadindo um hospital para capturar participantes dos atos. A gravação foi citada nominalmente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que definiu o ato de “atacar feridos com gás lacrimogêneo e munição” como um “claro crime contra a humanidade”.
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Embora Teerã venha aplicando métodos violentos para conter as demonstrações, não há sinal de arrefecimento do movimento. Dados da agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRNA) apontam que 88 cidades e pelo menos 257 locais em todo o Irã viraram palco de protestos. Ao mesmo tempo, a redução do poder de compra que iniciou o ciclo de manifestações segue se intensificando: o rial, moeda iraniana, atingiu a mínima histórica de 1,46 por dólar americano.
Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a situação econômica está fora do controle do governo, e qualquer intervenção estatal pode agravar a já descontrolada inflação do país. “Mesmo que eu quisesse fazer isso, seria forçado a pressionar fortemente as camadas mais pobres da sociedade imprimindo dinheiro. A renda do país é certa e nossos recursos não são ilimitados”, disse o mandatário nesta terça.
No sábado 3, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu que as reivindicações dos manifestantes eram legítimas, mas afirmou que os “arruaceiros” nos protestos teriam que ser “colocados em seus devidos lugares”. Teerã tem buscado manter uma aparência oficial de leniência, embora as forças de segurança não se furtem em usar violência contra os manifestantes.
Em meio ao caos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou mais gasolina nas chamas ao advertir que pode intervir diretamente no Irã caso o governo mate manifestantes. A ameaça foi recebida com indignação e ganhou ainda mais peso após a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares americanos no último final de semana.