Ao que tudo indica, o governo Lula ainda não tem votos suficientes no Congresso para aprovar nenhuma das propostas que reduzem a escala e a jornada de trabalho estipuladas na Constituição. Por isso, aposta no apoio a manifestações populares nas ruas e nas redes sociais como forma de pressionar parlamentares que não compõem a base fiel ao Palácio do Planalto a aderir à mudança.
Como mostra VEJA em reportagem publicada na edição que está nas bancas, o fim da escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1) e a redução da jornada tornaram-se bandeira da campanha à reeleição de Lula neste ano —tudo sob orientação do chefe da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira.
Autora de uma das duas PECs sobre o tema, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), responsável por levar a reivindicação para o governo, pretende começar a convocar mobilizações depois do Carnaval, junto com representantes do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que a acompanharam em entrevistas e reuniões em Brasília ao longo do ano passado.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, encarregado de fazer a ponte entre o governo federal e a sociedade civil, afirma que o mês de maio “deve ter mobilizações em todo o país pelo fim da escala 6×1 e em defesa dos direitos dos trabalhadores”.
“Nosso papel é dialogar com os mais diversos setores organizados da sociedade e trazer para dentro do Palácio do Planalto as vozes dos trabalhadores que se sacrificam em uma escala de trabalho desumana”, declarou Boulos a VEJA. “Vamos seguir mobilizando a sociedade, em trabalho conjunto com a ministra Gleisi (Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais), que é responsável pela articulação no Congresso”, acrescentou.
O ministro da Secretaria-Geral prefere não esclareceu se Lula planeja marcar presença nos atos.
Presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Tadros ressalta que as manifestações são legítimas em uma democracia, mas pede que decisões “com impacto estrutural na economia e na sustentabilidade de milhões de empresas” sejam fundamentadas em critérios técnicos e diálogos equilibrados.
“A pressão política não deve substituir a análise criteriosa dos efeitos sobre a inflação, o custo operacional das empresas e a manutenção dos postos de trabalho”, afirmou o executivo.