A filha do líder norte-coreano Kim Jong-un participou, ao lado dos pais, de uma visita pública ao Palácio do Sol de Kumsusan, mausoléu estatal onde estão os corpos embalsamados de Kim Il-sung, fundador do país, e de Kim Jong-il, pai do atual dirigente.
A presença de Kim Ju-ae na cerimônia de Ano-Novo reacendeu especulações de que ela esteja sendo preparada como sucessora do regime.
Imagens divulgadas pela agência estatal KCNA mostram Kim Jong-un, a mulher, Ri Sol-ju, e a filha no salão principal do mausoléu, em 1º de janeiro. Tradicionalmente, o local é visitado pelo líder norte-coreano em datas simbólicas e aniversários ligados à dinastia que governa o país desde 1948.
Segundo analistas e a agência de inteligência da Coreia do Sul, Kim Ju-ae tem feito aparições cada vez mais frequentes e centrais na propaganda oficial nos últimos três anos, o que indicaria um movimento deliberado de Kim Jong-un para apresentá-la como herdeira política, tornando-a potencialmente a quarta representante da dinastia Kim no poder.
A Coreia do Norte nunca confirmou oficialmente a idade da jovem, que se acredita ter nascido no início da década de 2010.
A presença de Ju-ae em eventos oficiais segue um padrão observado em regimes autoritários e monarquias políticas, em que sinais simbólicos antecedem decisões formais.
Em setembro, ela acompanhou o pai em sua primeira viagem internacional conhecida, a Pequim, reforçando a leitura de que sua projeção pública não é episódica.
Especialistas lembram que Kim Jong-un teria outros filhos, cujos papéis permanecem desconhecidos, o que impede conclusões definitivas sobre a sucessão. Ainda assim, a exposição controlada de Kim Ju-ae contrasta com o histórico de sigilo extremo do regime e é vista como um movimento calculado, observado de perto por serviços de inteligência e pela imprensa internacional.
Casos anteriores, como a transição de Kim Jong-il para Kim Jong-un, também foram marcados por aparições graduais antes da consolidação do poder, o que reforça a interpretação de que, na Coreia do Norte, os gestos públicos costumam antecipar mudanças políticas profundas