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Europa sugere ‘zona tampão’ entre Rússia e Ucrânia para encerrar guerra; Zelensky rejeita

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou nesta sexta-feira, 29, uma proposta de criar uma zona-tampão entre a Rússia e a Ucrânia como parte de um acordo para encerrar a guerra entre os países. A sugestão foi levantada, segundo uma reportagem do portal de notícias Politico, por líderes europeus, que começaram a falar na possibilidade de “bloquear” uma faixa de terra do lado ucraniano para distanciar as forças russas dos militares e civis do país invadido — uma espécie de Muro de Berlim.

“Só quem não entende o estado tecnológico da guerra atual propõe uma zona-tampão”, disparou Zelensky a repórteres, lembrando que a guerra na Ucrânia tem sido marcada e impulsionada tecnologia de drones.

Inclusive, já haveria, segundo ele, uma área na linha de frente que costuma ser chamada de “zona morta”, onde a artilharia pesada não pode operar devido ao risco de ataques de drones.

“Hoje, nossas armas pesadas estão localizadas a uma distância de mais de 10 km uma da outra, porque tudo é atingido por drones”, explicou o líder ucraniano. “Essa barreira — eu a chamo de ‘zona morta’, alguns a chamam de ‘zona cinzenta’ — já existe.”

Tampão

De acordo com a reportagem do Politico, líderes europeus consideram uma zona-tampão de 40 km entre as forças dos dois países como parte de um cessar-fogo ou de um acordo de longo prazo. A medida pode criar zonas desmilitarizadas entre países em guerra, como a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que vivem em tensão desde um armistício em 1953, e fronteiras físicas como a Cortina de Ferro – que separou a União Soviética do Ocidente após a Segunda Guerra Mundial.

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O portal de notícias indicou que a proposta entre autoridades militares e civis era bloquear uma faixa de terra na Ucrânia. Um acordo desse tipo também significaria que o país abriria mão de parte do território, o que Zelensky também rejeitou: “Se a Rússia quiser uma distância maior de nós, pode recuar para dentro dos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia.”

Ele acrescentou, como sempre reitera, que a Rússia não está pronta para uma solução negociada, e ao invés disso busca maneiras de adiar o fim da guerra.

Negociações

A ofensiva diplomática liderada pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, que já dura mais de três anos e meio, parece estar perdendo força. Uma cúpula na semana passada entre o presidente americano, Donald Trump, Zelensky e líderes europeus na Casa Branca aumentou as esperanças de uma possível bilateral entre o líder ucraniano e o russo, Vladimir Putin. Mas essa possibilidade parece cada vez mais remota. Nesta sexta-feira, o chanceler alemão, Friedrich Merz, que esteve em Washington para as discussões, disse que “obviamente não” haveria uma reunião e que Putin parecia “relutante” em participar.

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Na quinta-feira 28, a Rússia disparou 629 drones e mísseis contra Kiev, matando 23 pessoas, em um dos maiores ataques aéreos da guerra até agora. A ofensiva provocou a indignação entre líderes europeus, em especial porque dois mísseis caíram perto dos escritórios da União Europeia e do British Council, do Reino Unido, no centro da capital ucraniana. Os principais diplomatas russos em Londres e Bruxelas foram convocados para consultas.

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Após conversas na cidade francesa de Toulon, Merz e o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeram aumentar a pressão sobre Moscou devido ao que descreveram como “pouco interesse” em encerrar a guerra. O francês declarou que, se o líder russo não concordar com as negociações diretas com Zelensky até a próxima segunda-feira, 1º de setembro, “isso provará que o presidente Putin enganou o presidente Trump”.

Nesta sexta, o chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, esteve em Nova York para discutir o papel dos Estados Unidos como mediador do conflito com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, bem como com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o vice-presidente do país, J.D. Vance. Após o encontro, o Yermak disse que, embora a Ucrânia tenha acolhido todas as iniciativas de paz apresentadas por Washington, “infelizmente, cada uma delas está sendo bloqueada pela Rússia”.

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Garantias de segurança

Enquanto isso, os líderes europeus têm realizado rodada atrás de rodada de negociações sobre quais garantias de segurança podem fornecer a Kiev em um cenário pós-guerra, para prevenir quaisquer futuras possíveis invasões da Rússia. A chefe de diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que os ministros da Defesa dos países-membros do bloco concordaram nesta sexta-feira que as garantias precisam ser “robustos e confiáveis”, e Zelensky afirmou esperar que o pacote de compromissos de auxílio “semelhantes aos da Otan” esteja pronto já na próxima semana.

No entanto, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, descreveu as últimas propostas ocidentais como “unilaterais” e perigosas, porque transformariam Kiev em um “provocador estratégico” nas fronteiras russas e aumentariam o risco de conflito entre Moscou e o Ocidente.

“As garantias de segurança devem se basear na obtenção de um entendimento comum que leve em consideração os interesses de segurança da Rússia”, afirmou ela.

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