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EUA não tomarão Groenlândia ‘sob nenhuma circunstância’, diz governo local a Trump

O governo da Groenlândia afirmou nesta segunda-feira, 12, que não aceitará que os Estados Unidos tomem controle da ilha “sob nenhuma circunstância”.

“Os Estados Unidos reiteraram mais uma vez seu desejo de assumir o controle da Groenlândia. Isso é algo que a coalizão governante na Groenlândia não pode aceitar sob nenhuma circunstância”, afirmou o governo do território autônomo dinamarquês em um comunicado, após repetidas ameaças do presidente americano, Donald Trump, de colocar a ilha sob controle de Washington.

+ Trump intensifica ameaça e afirma que vai tomar Groenlândia ‘de um jeito ou de outro’

No domingo, Trump elevou o tom e afirmou que vai tomar a Groenlândia “de um jeito ou de outro”, alegando que, sem uma ação americana, quem vai “tomar o controle” sobre a ilha dinamarquesa no Ártico serão a Rússia e a China, apesar de nenhum dos dois países reivindicar a área. Foi o mais recente de uma série de comentários escalatórios sobre o território rico em minerais que o republicano deseja anexar ao seu país por “interesses de segurança nacional”.

A Dinamarca e outros aliados europeus dos Estados Unidos expressaram choque com as ameaças de Trump à Groenlândia, localizada em ponto estratégico entre a América do Norte e o Ártico, e onde os americanos mantêm uma base militar desde a Segunda Guerra Mundial.

Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total.

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A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como dos partidos políticos, afirma não querer estar sob o controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump.

Otan

O governo local acrescentou que trabalhará ainda para desenvolver a defesa da ilha no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a principal aliança militar ocidental.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou na semana passada que qualquer movimento de Washington para tomar a Groenlândia à força destruiria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a aliança transatlântica que definiu a ordem mundial nos últimos 80 anos.

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Trump minimizou o comentário, dizendo: “Se isso afetar a Otan, então afeta a Otan. Mas vocês sabem, (a Groenlândia) precisa muito mais de nós do que nós deles (os europeus)”. 

Em paralelo, nesta segunda-feira, 12, o comissário da União Europeia para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, disse à agência de notícias Reuters, que o bloco pode ajudar a garantir a segurança da Groenlândia, caso a Dinamarca o solicite, e reforçou que qualquer tomada militar significaria o fim da Otan.

“Concordo com a primeira-ministra dinamarquesa que será o fim da Otan, mas também será algo muito, muito negativo para a população”, disse Kubilius.

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O comissário disse não acreditar que uma invasão militar dos EUA esteja a caminho, mas que o artigo 42.7 do Tratado da União Europeia obrigava os Estados-membros a prestar auxílio à Dinamarca caso esta enfrentasse uma agressão militar.

“Dependerá muito da Dinamarca, de como reagirão, qual será a sua posição, mas certamente existe essa obrigação dos Estados-membros de prestarem assistência mútua se outro Estado-membro estiver a enfrentar uma agressão militar”, afirmou.

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