O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, anunciou nesta quarta-feira, 14, o início da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro do ano passado. No X, antigo Twitter, ele advertiu que os EUA esperam que “o Hamas cumpra integralmente suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém falecido” e que “não cumprimento acarretará sérias consequências”. A nova etapa prevê o desarmamento do grupo palestino radical e o começo da reconstrução do enclave.
“Hoje, em nome do Presidente Trump, anunciamos o lançamento da Fase Dois do Plano de 20 Pontos do Presidente para o Fim do Conflito em Gaza, que avança do cessar-fogo para a desmilitarização, governança tecnocrática e reconstrução”, escreveu Witkoff. “A Fase Dois estabelece uma administração palestina tecnocrática de transição em Gaza, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), e inicia a desmilitarização e reconstrução completas de Gaza, principalmente o desarmamento de todo o pessoal não autorizado.”
“É importante ressaltar que a Fase Um proporcionou ajuda humanitária histórica, manteve o cessar-fogo, devolveu todos os reféns vivos e os restos mortais de vinte e sete dos vinte e oito reféns falecidos. Somos profundamente gratos ao Egito, à Turquia e ao Catar por seus indispensáveis esforços de mediação, que tornaram possível todo o progresso alcançado até o momento”, acrescentou.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, havia informado que “chegou-se a um consenso sobre os membros” do comitê tecnocrático palestino de 15 pessoas que governará temporariamente a Faixa de Gaza. A formação do grupo faz parte do plano de 20 pontos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que abre caminho para o Estado da Palestina — uma ideia rejeitada por Israel.
“Esperamos que, após este acordo, o comitê seja anunciado em breve… e que seja então enviado para a Faixa de Gaza para gerir a vida quotidiana e os serviços essenciais”, afirmou Abdelatty, que também salientou que o Egito não permitirá que o enclave palestino seja separado politicamente da Cisjordânia, defendendo a solução de dois Estados.
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‘Desradicalização’ de Gaza
A proposta estabelece que Gaza deverá ser uma zona “desradicalizada”, ou seja, sem grupos radicais. Sob o documento da trégua, o enclave passará por reconstrução com apoio de um comitê composto por palestinos qualificados e especialistas internacionais. A supervisão será feita por um novo órgão internacional de transição, o “Conselho da Paz”, que será presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado.
“Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas, conforme delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta saudita-francesa, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Esse órgão recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva à população de Gaza e seja propícia à atração de investimentos”, explica.
Será colocado em prática um plano de desenvolvimento de Trump para “reconstruir e energizar Gaza” através da “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Oriente Médio”, enquanto “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.
Além disso, Gaza será “governada sob a governança transitória temporária de um comitê palestino tecnocrático e apolítico, responsável por administrar diariamente os serviços públicos e os municípios para o povo de Gaza”.