Em um artigo publicado neste domingo, 18, no jornal norte-americano The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamou de “lamentável” os recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela, que culminaram com a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e que, de acordo com o mandatário brasileiro, retroalimentam a “erosão contínua da lei internacional e da ordem multilateral estabelecida desde a Segunda Guerra Mundial”. O artigo é intitulado “Este hemisfério pertence a todos nós”.
Sem citar diretamente o regime autoritário comandado há 13 anos por Maduro, mas numa rara menção aos cerceamentos políticos de seu colega, Lula afirmou que os chefes de “qualquer país podem ser responsabilizados por atitudes que enfraqueçam a democracia e direitos fundamentais”.
O petista defende, contudo, que esta é uma prerrogativa soberana de cada nação – “o futuro da Venezuela e de qualquer outro país deve continuar nas mãos de seu povo” – e condena tanto a intervenção unilateral quanto o uso da força para isso. “Quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser a exceção para ser a regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais são ameaçadas”, escreveu. “Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construirmos sociedades livres, inclusivas e democráticas”.
Lula também destacou o diálogo que seu governo abriu e tem mantido com o presidente norte-americano, Donald Trump, e defendeu esta via como o caminho para encontrar soluções conjuntas para “os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”. “Nós [o Brasil e os Estados Unidos] somo as duas democracias mais populosas dos continentes americanos”, diz o artigo. “Nós do Brasil estamos convencidos de que unir os nossos esforços em torno de planos concretos de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir.”
Lula reforçou o histórico particularmente pacífico da América Latina e defendeu sua busca por pluralidade. “Em mais de 200 anos de independência, esta é a primeira vez que a América do Sul passou por um ataque militar direto pelos Estados Unidos, mesmo as forças americanas tendo intervindo na região no passado”, diz. “Nós não vamos ser subservientes a empreitadas hegemônicas. Construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que combina conosco.”