O convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil participe do recém-criado Conselho da Paz abriu um debate sensível no governo federal, que deve discutir sobre a possibilidade de aceitar ou não na próxima semana. O tema foi analisado no programa Ponto de Vista, da VEJA, nesta quinta-feira, 22, em entrevista com o cientista político Rodrigo Prando. (este texto é um resumo do vídeo acima).
Para o especialista, o documento de criação do conselho teria sido formulado de maneira pouco convencional e Trump busca centralizar protagonismo na iniciativa. Segundo o cientista político, o presidente americano demonstra dificuldade em não ocupar o centro das atenções em iniciativas multilaterais.
O Conselho da Paz pode enfraquecer a ONU?
Na avaliação do analista, o Conselho da Paz representa agora uma jogada política de Trump. Prando destacou que tanto Trump quanto Lula já demonstraram interesse em liderar iniciativas internacionais de promoção da paz. No entanto, ele aponta que a proposta americana pode funcionar como uma “arapuca”, ao esvaziar o papel tradicional da ONU.
De acordo com Prando, a adesão ao conselho exigiria uma contribuição estimada em 1 bilhão de dólares, além de submeter os membros a uma estrutura altamente centralizada em Trump e em pessoas de sua confiança. Para o cientista político, o órgão teria caráter majoritariamente consultivo, mas com forte controle do presidente americano.
Por que a decisão tem impacto direto na política interna?
O impacto da decisão também pesa no cálculo do governo brasileiro. Prando citou entrevista recente de Guilherme Boulos, secretário da Presidência, na qual foram antecipados os principais eixos que o governo pretende enfatizar no ano eleitoral, como a defesa da soberania, a justiça tributária e pautas trabalhistas. Nesse contexto, a participação em um conselho liderado por Trump poderia gerar desgaste político.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.