A indicação-surpresa do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria da CPMI do INSS respingou na turbulenta corrida eleitoral alagoana. No próximo ano, os notórios adversários Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB) devem disputar as duas cadeiras ao Senado. Se nenhum nome de peso entrar no páreo, os dois saem vitoriosos.
No entanto, não se descarta a entrada de um candidato que possa bagunçar o jogo – e a aposta, ao menos entre os apoiadores de Calheiros, é que Gaspar poderia assumir esse papel.
Segundo essa versão, Alfredo Gaspar sonha com a cadeira de senador e poderia pleitear o voto do eleitorado de direita, a mesma raia na qual Lira corre. O parlamentar é apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi secretário de segurança e promotor de Justiça e tem entre suas principais bandeiras impor um freio à criminalidade.
Ao comandar a primeira sessão na CPMI, Gaspar disse ser de direita “com muito orgulho”. “Não quero mal nenhum ao governo, mas aqui no meu relatório não haverá protegidos nem perseguidos. Eu estarei aqui para cumprir o rito da investigação. Quem meteu a mão no dinheiro do povo sofrido brasileiro não perguntou a mim se era conveniente”, afirmou.
A articulação sobre a candidatura do campo bolsonarista deve passar pelo atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), que comanda o diretório do PL em Alagoas. Antigos aliados, o prefeito e Lira mantêm uma relação marcada por idas e vindas. Outro nome que poderia ser apoiado por JHC é o do ex-deputado estadual Davi Davino Filho, filiado ao Republicanos.
Interlocutores de Lira afirmam que o deputado e Alfredo Gaspar são aliados e não irão travar disputas. “Se o Alfredo for candidato, quem perde é o Renan Calheiros”, afirma um alagoano.
Procurado, o relator da CPMI disse que “2026 está muito longe” e que não está pensando nas eleições. “Estou focado em cumprir o mandato que conquistei com o voto honesto do povo de Alagoas”, disse Alfredo Gaspar a VEJA.