O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou nesta quarta-feira, 21, a imposição de uma tarifa de 30% sobre importações da Colômbia, medida que entra em vigor em 1º de fevereiro e aprofunda a tensão diplomática e comercial entre os dois países. Segundo o governo equatoriano, a decisão é uma resposta direta à falta de cooperação de Bogotá no combate ao narcotráfico e à mineração ilegal na fronteira comum.
Em uma publicação na rede social X, antigo TWITTER, Noboa afirmou que o aumento tarifário será mantido até que haja um compromisso efetivo entre Quito e Bogotá para enfrentar, de forma conjunta, o avanço do crime organizado na região. O presidente disse que o Equador tem combatido sozinho grupos criminosos ao longo dos cerca de 600 quilômetros de fronteira, enquanto as forças colombianas, segundo ele, oferecem apoio insuficiente.
“O Equador tem insistido no diálogo, mas nossos militares seguem enfrentando o crime organizado sem a colaboração necessária”, escreveu Noboa. Ele acrescentou que a resposta do governo equatoriano será “firme e proporcional” enquanto persistir o que classificou como omissão colombiana.
A decisão tem peso econômico relevante. A Colômbia é o principal parceiro comercial do Equador na Comunidade Andina, bloco que também inclui Peru e Bolívia. Autoridades equatorianas apontam um déficit comercial bilateral superior a 1 bilhão de dólares por ano.
A medida, no entanto, pode ter efeitos colaterais para ambos os lados. O Equador depende de produtos colombianos como energia elétrica, medicamentos e pesticidas, o que pode pressionar custos internos.
Em resposta, o governo colombiano informou que está analisando a decisão. Pouco depois do anúncio, as Forças Armadas da Colômbia divulgaram uma operação conjunta recente na fronteira, que resultou na apreensão de um carregamento de maconha.
A escalada de tensões ocorre em um contexto mais amplo de endurecimento contra o narcotráfico. Os Estados Unidos também sinalizaram que podem ampliar a pressão sobre países da região, como Colômbia e México, após o ataque de 3 de janeiro em Caracas e a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificado por Washington como um “narcoditador”.
O atrito com Bogotá não é um caso isolado. No ano passado, o Equador impôs uma tarifa de 27% sobre produtos mexicanos, após o México conceder asilo ao ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, abrigado na embaixada mexicana em Quito — episódio que levou a uma grave crise diplomática.
Desde que assumiu o poder, em novembro de 2023, Noboa declarou guerra a mais de vinte grupos criminosos ligados a cartéis internacionais. A ofensiva ocorre em meio a uma escalada inédita da violência: em 2025, o Equador registrou 52 homicídios por 100 mil habitantes, o maior índice da região e equivalente a um assassinato por hora, segundo o Observatório Equatoriano do Crime Organizado.
Localizado entre Colômbia e Peru, os dois maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador tornou-se rota estratégica do tráfico internacional. Estima-se que cerca de 70% da cocaína produzida na região atravesse o território equatoriano com destino aos mercados dos Estados Unidos, da Europa e da Oceania.