A UrbanV e a Pax Aeroportos, duas empresas atuantes no setor aéreo, anunciaram nesta semana a assinatura de um acordo para desenvolver os primeiros aeroportos voltados exclusivamente a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs). Os chamados vertiportos serão construídos nas principais cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro. O anúncio é o primeiro indicativo concreto de que o setor privado aposta na viabilidade futura dessas aeronaves.
Por outro lado, os empreendimentos surgem como projetos-piloto, o que também revela certa cautela por parte do mercado. Esse tipo de transporte ainda não conta com certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, por exemplo, já iniciou um processo junto à agência reguladora — etapa inicial para a obtenção da documentação necessária —, que deve ser concluído apenas no próximo ano. Até lá, a aeronave não pode operar comercialmente.
Os dois vertiportos serão instalados em conhecidos polos da aviação executiva: um no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, e outro em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Os locais deverão contar com infraestrutura específica para esse tipo de operação, incluindo áreas de pouso e decolagem vertical, recarga elétrica, manutenção, controle operacional e integração com outros modais de transporte urbano. A expectativa é que os espaços funcionem inicialmente como centros de validação técnica e operacional, antes de uma eventual abertura comercial em larga escala.
Atualmente, a China é uma dos poucos países que avançou no regulatório e já tem licença para esse tipo de aeronave cricular. No ano passado, a empresa chinesa EHang recebeu licenças de operador aéreo da Administração Civil de Aviação da China (CAAC) para seu eVTOL EH216-S, liberando operações comerciais pagas em rotas curtas como turismo ou sightseeing em cidades como Guangzhou e Hefei. Mas ainda são operações restritas, em baixa altitude, geralmente para observação, que sai e volta do mesmo ponto.