A Colômbia impôs nesta quinta-feira, 22, tarifas de 30% sobre importações do Equador em retaliação às taxas anunciadas pelo governo de Daniel Noboa na véspera. As alíquotas serão aplicadas a 20 produtos equatorianos ainda não definidos. Bogotá alertou que ainda há possibilidade de estendê-las “a um grupo maior, em resposta à interrupção do comércio bilateral gerada por uma decisão unilateral”.
“Essas medidas não têm a intenção de agravar as tensões ou afetar permanentemente as relações comerciais entre os países. São instrumentos legítimos para corrigir desequilíbrios e preservar condições de troca justas e previsíveis, enquanto se restabelece um quadro de regras comuns”, afirmou a ministra do Comércio da Colômbia, Diana Morales.
As Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) entre as duas nações também foram interrompidas. De acordo com o Ministério de Minas e Energia da Colômbia, a suspensão do fornecimento serve “como medida preventiva orientada a proteger a soberania e a segurança energética” do país. A decisão, segundo a pasta, se baseia em análises técnicas que “evidenciam maior pressão sobre o sistema elétrico” colombiano.
“Rejeitamos a medida tarifária imposta pelo Equador, uma agressão econômica que viola o princípio de integração regional”, disse o ministro de Energia da Colômbia, Edwin Palma, acrescentando que Quito “violou acordos internacionais”.
Na quarta-feira 21, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou tarifas de 30% contra produtos da Colômbia a partir de fevereiro. A medida foi implementada pela incapacidade do governo de Gustavo Petro de combater o narcotráfico na fronteira. Noboa, de extrema direita, é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já definiu Petro como “bandido” e “líder do tráfico de drogas”.
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Retaliações e consequências
Após o anúncio da Colômbia sobre o corte de energia, o Equador lançou novas tarifas para o transporte de petróleo colombiano por um de seus oleodutos. “A tarifa de transporte do petróleo colombiano pelo OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado) terá a reciprocidade recebida no caso da eletricidade”, informou a ministra do Meio Ambiente e Energia, Inés Manzano, no X, antigo Twitter.
O governo equatoriano exporta petróleo e importa combustíveis fósseis. O OCP transportou 46 milhões de barris colombianos desde 2013, quando o país começou a usar a tubulação para levar o produto até um porto no Pacífico equatoriano. A produção de petróleo do país ficou em 469.000 barris por dia em novembro passado, dos quais 39% foram transportados pelo OCP, de acordo com dados do Banco Central.
O Equador, que tem como base a energia hidrelétrica, enfrentou secas intensas em 2024 e sofreu longos apagões. Na época, a Colômbia ajudou o vizinho com fornecimento de eletricidade. Ainda na quarta, Petro alfinetou Noboa: “Espero que o Equador tenha reconhecido que, quando precisaram de nós, os ajudamos com energia”, disse.
Segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias AFP, ambos os países perdem com esse cenário. No entanto, alertam os analistas, os efeitos da guerra comercial tendem a ser mais severos para o Equador, que compra energia elétrica, medicamentos, veículos, produtos cosméticos e plásticos da Colômbia. Bogotá, por sua vez, importa gorduras e óleos vegetais, conservas de atum, minerais e metais.