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Economia verde sem ilusão: sem ação agora, não haverá planeta no futuro

Na entrevista ao Mercado, Wagner Carvalho, CEO da W-Energy e professor de sustentabilidade, fez um alerta direto — e incômodo: não basta que algumas empresas façam o dever de casa. Sem políticas públicas firmes, coordenação estatal e compromisso real do setor privado, a transição verde vira discurso bonito sem efeito prático. “Estamos discutindo crescimento, tecnologia e inteligência artificial como se os recursos naturais fossem infinitos. Não são”, resumiu.

Carvalho chama atenção para o custo ambiental invisível da tecnologia. Segundo ele, um vídeo de inteligência artificial com apenas um minuto pode consumir cerca de 30 litros de água no processo. O dado joga luz sobre o debate em torno dos data centers. “O Brasil não pode querer apenas atrair data centers como se isso fosse desenvolvimento”, afirmou. Essas estruturas consomem enormes volumes de água e energia, são essenciais para a IA — sem data center, não há inteligência artificial —, mas geram pouquíssimos empregos. Para ele, o país precisa ir além: investir em desenvolvimento de ponta, conhecimento, inovação e domínio tecnológico, e não apenas oferecer território e recursos naturais baratos.

O CEO também trouxe números que ajudam a dimensionar o problema da água no Brasil. Apesar de abrigar cerca de 11% da água doce do planeta, o país desperdiça mais de 40% da água tratada antes mesmo de ela chegar às casas — índice que já foi de 60% em algumas cidades. Para comparar, no Japão, a perda gira em torno de 6%. “A gente não paga pela água, paga pelo serviço de captação, tratamento e distribuição. Jogar isso fora é irracional”, disse. Ele lembrou ainda que apenas 0,007% da água do planeta é doce e acessível, e que o maior consumo vem da agricultura, seguido da indústria.

Ao final, Wagner Carvalho foi além do diagnóstico e trouxe a dimensão ética do debate. “O planeta é o paciente, nós somos os médicos. Ou mudamos agora, ou vamos ter que explicar para nossos filhos e netos por que varríamos calçadas com água potável”, afirmou. Para ele, sustentabilidade deixou de ser agenda ambiental: é uma questão econômica, social e civilizatória — e o tempo para adiar decisões já acabou.

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