O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Caracas nesta quinta-feira, 15, para uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O encontro marca a visita de mais alto escalão de um representante dos Estados Unidos ao país desde a prisão do ex-ditador Nicolás Maduro por forças americanas no início do mês.
Segundo Ratcliffe, a reunião, que durou cerca de duas horas, teve como objetivo principal a construção de confiança entre Washington e Caracas em meio ao processo de transição política no país sul-americano. Ratcliffe teria ido à capital venezuelana a pedido do presidente Donald Trump para transmitir a expectativa nutrida pela Casa Branca de uma melhoria nas relações de trabalho entre os dois governos.
O diretor da CIA deixou claro que a Venezuela “não pode mais servir de apoio a narcotraficantes como o Tren de Aragua”, em referência à organização criminosa nascida lá e apontada pelas autoridades americanas como uma das principais ameaças à segurança regional. A agenda incluiu ainda discussões sobre cooperação em inteligência, estabilidade econômica e a necessidade de impedir que Caracas continue sendo um “porto seguro para adversários dos Estados Unidos”, especialmente grupos ligados ao narcotráfico.
O governo Trump não comentou oficialmente o encontro.
A visita ocorreu no mesmo dia em que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, esteve na Casa Branca, onde entregou simbolicamente ao presidente americano a medalha do Prêmio Nobel da Paz que ela recebeu em dezembro. Desde a operação que levou à prisão de Maduro, Washington tem evitado afirmar em público que a oposição deveria assumir o poder, embora os Estados Unidos reconheçam Edmundo González Urrutia, que concorreu no lugar de Machado no pleito fraudado de 2024, como presidente eleito da Venezuela.
Delcy Rodríguez, que ocupava a vice-presidência durante o governo Maduro, assumiu o comando do país em caráter interino após a captura do líder chavista, levado a Nova York para responder a acusações relacionadas a tráfico de drogas e posse de armas ilegais. Apesar de já ter criticado Washington pelo que chamou de “sequestro descarado”, Rodríguez é vista pela Casa Branca como uma figura pragmática e capaz de preservar a estabilidade institucional durante o período de transição.
Na quarta-feira, Trump e Rodríguez conversaram por telefone. Ambos classificaram a ligação, em declarações separadas, como positiva.