A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta terça-feira, 13, que enfrenta uma “pressão inaceitável” do seu “aliado mais próximo por uma geração”, em referência às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar controle da Groenlândia, região autônoma dinamarquesa. Em coletiva em seu gabinete em Copenhague ao lado do premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, ela advertiu que “há muitas evidências de que a parte mais difícil ainda está por vir”.
A declaração ocorre na véspera de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e Groenlândia com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na Casa Branca. Frederiksen disse que usará o encontro para defender os princípios de que as fronteiras “não podem ser alteradas pela força” e de que “países pequenos não precisam temer os países grandes”.
Ela reiterou que a Dinamarca “não busca conflito, mas a mensagem é clara: a Groenlândia não está à venda”. A premiê também instou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principal aliança militar ocidental, a “defender a Groenlândia tanto quanto qualquer outro milímetro de território da Otan”.
Jens-Frederik Nielsen, por sua vez, salientou que, se o território que avança em direção à independência total desde 1979 precisasse tomar uma decisão sobre a qual nação responder, “escolheria a Dinamarca em vez dos Estados Unidos”.
“Uma coisa precisa ficar clara para todos: a Groenlândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos, a Groenlândia não quer ser governada pelos EUA, a Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos. Escolhemos a Groenlândia que conhecemos hoje, que faz parte do Reino da Dinamarca”, afirmou ele.
Não é a primeira vez que Trump cogita tomar a Groenlândia. A ideia despontou em 2017, no seu primeiro mandato, e virou assunto público em 2019. Em janeiro do ano passado, o tema voltou à tona quando o republicano voltou à Casa Branca com a promessa de que “a questão da Groenlândia será resolvida”. Em declarações recentes, ele alegou precisar da ilha “do ponto de vista da segurança nacional”. O território é rico em recursos naturais, incluindo minerais estratégicos.
Otan se esquiva
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também foi questionado sobre a questão da Groenlândia nesta terça, durante discurso no no Fórum Global da Europa Renew Europe, na Bélgica. Ele, no entanto, fugiu pela tangente em uma resposta prolixa, sem abordar os problemas centrais das ameaças americanas. Rutte relembrou que Trump já havia falado sobre a necessidade aumentar a proteção do Ártico no seu primeiro mandato.
“Como vocês sabem, temos oito países do Alto Norte no Ártico. Um deles é a Rússia, fora da Otan, e sete fazem parte da Otan. Esses sete países basicamente fazem fronteira com o Ártico, e foi o presidente Trump, em seu primeiro mandato, como eu disse, quem nos alertou para o fato de que as rotas marítimas estão se abrindo, que a Rússia e a China estão mais ativas e que é preciso fazer mais em conjunto nessa região”, disse ele.
“Tivemos uma discussão muito produtiva na Otan. Foi por volta do verão. Agora estamos dando os próximos passos para dar continuidade a essa discussão. Porque todos nós na Otan concordamos que, quando se trata da proteção do Ártico, precisamos trabalhar juntos. E é exatamente isso que estamos fazendo”, continuou Rutte. “É claro que eu nunca comento quando há discussões entre aliados. Não cabe a mim opinar sobre isso.”
Outras autoridades da aliança já haviam dito anteriormente que qualquer avanço americano sobre a Groenlândia com uso da força seria “o fim da Otan”.