Em uma nota encaminhada ao procurador-geral de Justiça do estado, dez promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Maranhão, pediram exoneração de seus cargos depois de a Procuradoria-Geral de Justiça (que é a chefia do MP) se manifestar pela soltura de onze vereadores e do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), alvos de operação que investiga desvios financeiros milionários de áreas essenciais da gestão pública, como saúde e assistência social.
“Ocorre que, no âmbito do processo judicial relacionado à investigação conduzida por este grupo, em que foram decretadas e cumpridas há poucos dias prisões de integrantes de organização criminosa instalada no município de Turilândia/MA (Operação Tântalo II – 22/12/2025), bem como as conclusões extraídas a partir do conjunto probatório produzido ao longo da investigação, reconhecidas pelo Poder Judiciário quando da decisão de prisão preventiva, a manifestação apresentada pela Procuradoria-Geral de Justiça favorável à soltura de todos os investigados presos revelou-se dissonante do entendimento técnico jurídico dos integrantes do Gaeco”, diz trecho da nota com pedido de exoneração dos integrantes do grupo de investigação criminal do Ministério Público do Maranhão.
Os promotores que assinam o documento são: Luiz Muniz Rocha Filho, Ana Carolina Cordeiro de Mendonça, Fernando Antonio Berniz Aragão, Marcos Valentim Pinheiro Paixão, Eduardo André de Aguiar Lopes, Fábio Santos de Oliveira, Raquel Chaves Duarte Sales, Francisco Fernando de Morais Meneses Filho, Raphaell Bruno Aragão Pereira de Oliveira, Tharles Cunha Rodrigues Ales.
Os promotores ainda citam que o parecer do procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, enfraquece a atuação institucional do MP no combate ao crime organizado, o que produz “impactos negativos na credibilidade das investigações complexas e na efetividade das medidas cautelares indispensáveis à repressão qualificada dessas organizações, além das implicações já oportunamente levadas ao conhecimento de Vossa Excelência”.
Na carta, os promotores do Gaeco citam também que o entendimento adotado pela Procuradoria-Geral de Justiça não se coaduna com os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo Gaeco nos últimos anos, tampouco com os objetivos voltados à busca pelo aprimoramento da
efetividade da persecução penal e ao aperfeiçoamento da atividade investigativa do Ministério Público.
Operação Tântalo II
Desencadeada em dezembro do ano passado, a Operação Tântalo II investiga suspeitos de integrarem uma organização criminosa voltada para o desvio de recursos públicos de Turilândia, cidade a 150 km da capital São Luís. Entre os crimes supostamente cometidos estão formação de quadrilha, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais. Todos, segundo o MP, ocorridos durante a gestão do prefeito Paulo Curió. O total apurado do dano causado ao erário soma 56.328.937,59 reais. As investigações envolvem, ainda, nove empresas, outras pessoas físicas e jurídicas, servidores públicos, particulares e agentes políticos.