O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) protocolou requerimento na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, da Câmara dos Deputados, para a realização de audiência pública destinada a debater a infiltração do crime organizado no sistema financeiro e no setor de combustíveis. O parlamentar quer a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues.
A iniciativa ocorre após a deflagração da megaoperação Carbono Oculto, considerada a maior da história contra o crime organizado no Brasil. A investigação revelou um esquema bilionário comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) que envolve fundos de investimento, fintechs e mais de mil postos de combustíveis em dez estados, com movimentações superiores a 46 bilhões de reais em quatro anos. Segundo a Receita Federal, o grupo teria sonegado mais de 7 bilhões de reais.
“Estamos diante de um novo patamar do crime organizado, o chamado PCC 5.0, que deixou de atuar apenas nas ruas e presídios para se infiltrar em setores estratégicos da economia nacional. É um risco real à soberania do país e precisamos dar uma resposta firme”, disse o deputado. O parlamentar destaca que a audiência será fundamental para identificar falhas regulatórias, reforçar mecanismos de inteligência e propor medidas legislativas que bloqueiem definitivamente a atuação do crime organizado em setores vitais da economia.
Mais cedo, VEJA mostrou que o PCC começou a atuar no ramo de postos de combustíveis, por exemplo, em 2010. À época, 12 unidades começaram a operar para o crime organizado. Em 15 anos, o número chegou a 300 postos apenas em território paulista, apontam investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).