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Depois de uma década, a ciência reacende a esperança no câncer de ovário

O câncer de ovário é, ainda hoje, um dos grandes desafios da oncologia feminina. Em boa parte dos casos, é uma doença silenciosa que se manifesta com sintomas sutis e pouco específicos, como dor ou inchaço abdominal, alterações intestinais e sensação de peso na pelve. Essa falta de sinais claros faz com que cerca de mais de 70% das pacientes recebam o diagnóstico em estágios avançados, quando as chances de cura diminuem e o tratamento se torna mais complexo.

O momento mais grave da doença ocorre quando as pacientes ficam resistentes à quimioterapia com platina, há anos a droga mais eficaz no tratamento do câncer de ovário. As opções de tratamentos aqui são muito escassas. Após mais de dez anos sem novidades terapêuticas relevantes para o câncer de ovário resistente à platina, vivemos um momento de virada.

A recente aprovação no Brasil de uma nova terapia direcionada, o mirvetuximabe soravtansina, traz esperança para mulheres que já haviam passado por uma, duas ou até três linhas de tratamento e enfrentavam o retorno da doença de forma agressiva e desanimadora.

O tratamento atua de maneira inovadora: é uma nova classe de medicação oncológica, chamada de conjugado anticorpo-droga, projetado para reconhecer e se ligar a um alvo específico presente nas células tumorais, o receptor alfa de folato (FRα). A partir dessa ligação, o fármaco entrega diretamente à célula cancerígena uma carga de medicação que impede sua multiplicação, poupando tecidos saudáveis e reduzindo os efeitos colaterais característicos da quimioterapia tradicional.

Os estudos clínicos que sustentaram a aprovação mostraram resultados expressivos, com melhora significativa na redução da progressão da doença e maior tempo de vida das pacientes, um dado inédito para esse perfil de paciente. Esses avanços reforçam a importância da pesquisa científica contínua e da incorporação de novas tecnologias ao tratamento do câncer ginecológico.

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O caminho da oncologia moderna é o da precisão: identificar o perfil molecular de cada tumor e oferecer terapias desenhadas para atingir suas vulnerabilidades específicas. Essa visão personalizada permite que o tratamento seja mais eficaz e menos tóxico, contribuindo para uma melhor qualidade de vida durante a jornada contra o câncer.

Mesmo com o avanço das terapias, o diagnóstico precoce continua sendo um desafio. É essencial que as mulheres conheçam e valorizem sinais persistentes que possam indicar alterações ginecológicas importantes e que mantenham acompanhamento médico regular, especialmente aquelas com histórico familiar de câncer de mama, ovário ou colorretal.

O câncer de ovário é uma doença complexa, mas a ciência tem avançado de forma consistente para oferecer novas possibilidades. Depois de uma década de espera, ver o surgimento de uma opção eficaz e direcionada representa não apenas um marco terapêutico, mas um gesto de esperança para pacientes e profissionais que lutam diariamente por mais tempo e qualidade de vida.

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*Graziela Zibetti Dal Molin é oncologista do Centro de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, especialista em câncer ginecológico, diretora da International Gynecologic Cancer Society (IGCS), membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e vice-presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (Grupo EVA)

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