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Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela

Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira, 5, poucos dias após Nicolás Maduro ter sido deposto e levado preso pelos Estados Unidos. A cerimônia foi realizada na Assembleia Nacional do país, onde o filho do ex-presidente, Nicolás Maduro Guerra, discursou mais cedo e afirmou que “a pátria está em boas mãos”. Antes vice, Rodríguez definiu a captura de Maduro como “sequestro” e disse que assumia o cargo “com dor, mas com honra”.

Nascida em Caracas, Rodríguez, de 56 anos, é filha do guerrilheiro de esquerda Jorge Antonio Rodríguez, fundador do partido revolucionário Liga Socialista na década de 1970. Advogada formada pela Universidade Central da Venezuela, e ascendeu rapidamente na carreira política na última década, atuando como Ministra da Comunicação e Informação entre 2013 e 2014. Conhecida por seu gosto por roupas de grife, foi ministra das Relações Exteriores de 2014 a 2017, período em que tentou boicotar o Mercosul após a suspensão da Venezuela do bloco.

Ela assumiu cargos como ministra da Fazenda e do Petróleo, ocupados simultaneamente com a vice-presidência, que fizeram dela uma figura-chave na gestão da economia venezuelana e lhe conferiram grande influência junto ao debilitado setor privado do país. Rodríguez tem aplicado políticas econômicas ortodoxas na tentativa de combater a inflação descontrolada.

Em 2017, ela assumiu a presidência da Assembleia Constituinte pró-governo, que ampliou os poderes de Maduro. Trabalha em estreita colaboração com seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e ganhou do ditador o apelido de “tigresa” sua firme defesa do socialismo bolivariano. Quando a nomeou vice em 2018, ele descreveu-a como “uma jovem mulher, corajosa, experiente, filha de um mártir, revolucionária e testada em mil batalhas”.

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Prisão e acusações

Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos na madrugada de sábado 3. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.

Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido no Niño Guerrero e líder do Tren de Arágua.

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Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime na Venezuela.

“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.

O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrostimo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.

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