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Crise no Ártico: Europa reforça soberania da Groenlândia diante de pressão dos EUA

Governos das principais potências europeias reagiram nesta terça-feira, 6, às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia e reafirmaram que o território ártico “pertence ao seu povo”.

Em comunicado conjunto, líderes de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, Polônia e Dinamarca manifestaram apoio à autonomia da ilha, que integra o Reino da Dinamarca, diante do que classificaram como uma pressão inaceitável de Washington.

O movimento ocorre após Trump voltar a defender publicamente que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, argumento que já havia provocado mal-estar diplomático em 2019, durante seu primeiro mandato.

Desta vez, porém, o tom adotado pela Casa Branca despertou maior preocupação na Europa, sobretudo após a recente operação militar americana na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Para autoridades europeias, o episódio latino-americano acendeu um alerta sobre a disposição do governo Trump de recorrer à força para impor interesses estratégicos.

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A Groenlândia, que já declarou reiteradas vezes não ter interesse em se tornar parte dos EUA, ganhou peso simbólico no debate sobre limites da política externa americana.

“Cabe exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre questões relativas ao seu futuro”, afirma o comunicado conjunto. Os líderes também ressaltaram que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Otan, da qual os Estados Unidos são membros.

O texto destaca que países europeus têm ampliado investimentos militares, presença naval e cooperação estratégica na região, considerada cada vez mais sensível diante da competição global com Rússia e China. A Holanda também declarou apoio integral à posição europeia.

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Em Varsóvia, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, foi direto ao comentar o impasse. “Nenhum membro da Otan pode ameaçar outro. Se isso acontecer, a aliança perde o sentido”, afirmou, em recado explícito a Washington.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu a manifestação de solidariedade e reiterou o apelo por um “diálogo respeitoso” com os Estados Unidos. Segundo ele, qualquer conversa deve partir do reconhecimento do direito internacional e do princípio da integridade territorial.

A Dinamarca, pressionada por Washington a reforçar a defesa da ilha, anunciou no ano passado um pacote de 42 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de US$ 6,6 bilhões) para ampliar sua presença militar no Ártico, incluindo vigilância aérea e marítima.

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Do lado americano, o enviado especial de Trump para a Groenlândia, Jeff Landry, afirmou que a segurança da ilha é uma “preocupação legítima” dos EUA. Questionado se o tema deveria ser tratado no âmbito da Otan, respondeu que “a decisão cabe aos groenlandeses”. Nomeado no mês passado, Landry, governador republicano da Louisiana, disse que Trump apoiaria uma Groenlândia independente, mas economicamente alinhada a Washington — e negou a hipótese de uso da força.

A retórica mais agressiva veio do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. Em entrevista à CNN, ele minimizou argumentos sobre soberania e direito internacional. “Vivemos em um mundo governado pela força e pelo poder”, afirmou. Miller acrescentou que ninguém enfrentaria militarmente os EUA por causa da Groenlândia.

Poucas horas após a operação americana na Venezuela, a mulher de Miller, Katie Miller, publicou em uma rede social uma imagem da Groenlândia pintada com as cores da bandeira dos EUA, acompanhada da palavra “em breve”, o que ampliou a reação negativa entre aliados europeus.

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Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia não é membro independente da Otan, mas está sob a proteção do tratado por meio da Dinamarca. Sua localização estratégica, entre a América do Norte e a Europa, abriga instalações-chave do sistema americano de defesa antimísseis e concentra reservas minerais consideradas essenciais para a transição energética — fator que também atrai o interesse de Washington.

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