counter Corredor de umidade entre a Amazônia e a região Sudeste traz instabilidades até quarta-feira – Forsething

Corredor de umidade entre a Amazônia e a região Sudeste traz instabilidades até quarta-feira

Depois de um período prolongado de calor excepcional até o Natal, o início de 2026 foi marcado por uma mudança abrupta no padrão atmosférico, com a intensificação das chuvas e a ocorrência de transtornos em grande parte do litoral do Sudeste. Na costa paulista, especialmente na Baixada Santista e no Litoral Norte, a atuação de uma frente fria associada a um corredor de umidade favoreceu volumes de precipitação acima da média histórica para o período, concentrados em poucos dias. A persistência desse cenário até quarta-feira, 7, está relacionada à formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um sistema recorrente no verão brasileiro que canaliza umidade da Amazônia em direção ao Sudeste e aumenta o potencial de chuvas intensas e contínuas.

Os impactos foram imediatos em áreas urbanas com alta densidade populacional e infraestrutura limitada. Cidades como Guarujá, Santos e São Vicente registraram alagamentos recorrentes, interrupções no tráfego e acionamento de protocolos de emergência pela Defesa Civil. Mongaguá foi o município mais afetado na Baixada Santista, com cerca de 90 milímetros de chuva acumulados em 72 horas, o suficiente para inundar bairros inteiros e expor fragilidades históricas no sistema de drenagem. O quadro é agravado por uma contradição estrutural: apesar das chuvas intensas, o litoral sul paulista enfrenta problemas de abastecimento desde o início do ano, levando condomínios e moradores a recorrerem a caminhões-pipa, o que evidencia limitações na gestão hídrica e na capacidade de armazenamento e distribuição.

No Litoral Norte, a concentração extrema de chuva elevou o risco geológico e comprometeu a mobilidade regional. A Rodovia Mogi-Bertioga precisou ser interditada temporariamente no domingo, 4, após o acumulado atingir cerca de 200 milímetros em apenas 72 horas, segundo a concessionária Novo Litoral, tornando a via insegura devido ao risco de deslizamentos. Em Ubatuba, no mesmo intervalo, o volume registrado correspondeu a aproximadamente 60% da média mensal. O episódio reforça a tendência de eventos climáticos mais intensos e concentrados no tempo, que ampliam a vulnerabilidade de regiões costeiras e serranas e pressionam sistemas urbanos que não foram dimensionados para extremos cada vez mais frequentes.

Publicidade

About admin